sábado, 12 de maio de 2012

EVANGELHO DE SÃO MARCOS


 


 

I. Evangelho — Significado Original da Palavra


 

Expressão Grega: euangelion


 

A palavra grega para "evangelho", euangelion, foi originalmente usada para descrever as "boas novas" da vitória militar trazida de um mensageiro ao seu comandante. Em seguida, passou a significar simplesmente uma mensagem "boa". Os escritores do Novo Testamento escolheram esta palavra para descrever as "Boas Novas" de Jesus Cristo e Sua salvação. É a vinda do Reino de Deus (cf. Mt 4,17). Preparada já no Antigo Testamento (Is 40,9; 52,7; 61,1) é agora anunciado por Jesus e assumido em sua própria pessoa.


 

O Profeta Isaías é um arauto de Boas Notícias. A sua profecia é uma proclamação jubilosa de uma Boa Nova. O povo que habita nas trevas ouve a notícia jubilosa de que um novo dia está a surgir. É dito aos cativos que a libertação está a caminho. Os corações despedaçados são confortados. Não admira que a mensagem do Profeta Isaías seja plenamente apropriada no Novo Testamento para proclamar a Boa Nova de que o Reino de Deus está próximo (Mc 1, 15).


 

Textos Importantes:


 

Is 40, 1-5: Deus escolhe um arauto para levar Boas Notícias ao povo. O poema de abertura tem como pano de fundo o Conselho Divino reunido no Céu (cf. Jer 23, 18). A libertação do Exílio é vista como um novo Êxodo. É importante preparar os caminhos do Senhor no deserto. Quando o profeta Isaías se encontrou no conselho divino, foi enviado a anunciar ao povo infiel um dia de juízo e condenação ( Is 6, 9-13). Agora, o Deutero Isaías, está perante o Conselho Divino, a fim de receber a missão de anunciar uma Boa Nova de salvação: "confortai, confortai, o meu povo" (Is 40, 1).

Is 40, 9-11: O arauto deve coloca-se em cima de um monte alto, a fim de ser ouvido por toda a gente. O Senhor vem com a ternura de um Bom Pastor que conduz as ovelhas e toma os cordeirinhos ao colo.

Is 42, 1-9: Primeiro cântico do Servo. Deus escolhe o seu servo para realizar uma missão.

Is 43, 1-7: Deus ama o seu povo como um pai ama os seus filhos. Vai chamar os seus filhos do Norte e do Sul. Estes vão atravessar sãos e salvos as águas, tal como aconteceu ao povo quando do Êxodo.

Is 43, 18-21: O Deus que liberta o seu povo é o mesmo que fez maravilhas no Egito para com os seus pais.

Is 44, 6-8: Ao libertar Israel, Deus dá provas de ser o único Deus. É o primeiro e o último. Não há outro além dele.

Is 44, 9-19: bonita forma de dizer que os ídolos são coisas ridículas e vazias.

Is 45, 1-4: Deus vai fortalecer e acompanhar o imperador Ciro. Este é o escolhido de Deus para realizar o projeto de Deus, apesar de não o saber.


 


 


 

Is 47, 1-6: Babilônia vai ser humilhada e a sua glória vai desaparecer. Foi o instrumento de castigo de Deus, mas agora Deus vai restaurar o seu povo. Por isso precisa doutra mediação.

Is 49, 1-6: Segundo Cântico do Servo. O Senhor vai fazer do seu Servo a luz das nações.
Is 49, 14-17: Deus sente uma ternura maternal pelo seu povo. Mesmo que uma mãe esquecesse o seu filho, Yahweh não esqueceria o povo que escolheu para ser luz no meio das nações.

Is 50, 4-9: O servo sofre pacientemente. A sua força e coragem está em Deus.

Is 52, 13-53, 12: Quarto cântico do Servo. O Novo Testamento vê neste cântico um prenúncio da Paixão de Cristo.

Is 54, 1-10: Jerusalém destruída era como uma mulher estéril. Mas agora o Senhor vai restaurá-la e dar-lhe muitos filhos. Tem mesmo de alargar a sua tenda a fim de acolher esses filhos. Tal como fez com Noé, Deus jura nunca mais se irritar contra Jerusalém (Is 54, 9).


 

De acordo com Marcos 1:1-4, o evangelho começa com a proclamação de João Batista. O prometido nascimento de João Batista é uma boa notícia (Lucas 1:19), não só para seus pais (Lucas 1:7, 24-25), mas para todo o povo. João é enviado para preparar a vinda do Messias (Lc 1,14-17, 67-79). A pregação de João é "evangelho" (João 3:18) pelo mesmo motivo. O Messias estaria vindo para julgar, um processo que envolve tanto a condenação e salvação (Lucas 3:3-17). A mensagem de João é o evangelho para os pecadores em que eles são avisados do perigo iminente e exortados a arrepender-se antes que o machado decepe (Lucas 3:7-9). É também evangelho para o arrependimento em que lhes foi prometido perdão (Lucas 3:3) e associação da comunidade do Messias (Lucas 3,17). O nascimento do próprio Salvador é anunciado como "boa notícia", trazendo grande alegria (Lc 2,10-11).


 

Depois que João Batista batizou Jesus, Jesus foi autorizado por Deus e ungido pelo Espírito para proclamar o evangelho (Marcos 1,14 e Lucas 4,18). No coração da Sua pregação está o anúncio: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e crede no evangelho" (Marcos 1,15). A mensagem do evangelho de Jesus centra-se na vinda do Reino de Deus. Com a vinda do reino, o governo de Deus será concluído. O injusto será julgado, a justiça estabelecida, e Seu povo será glorificado.


 

Versículo Chaves:


 

Marcos 1,1. 14-15; Romanos 1,1. 9. 16; Filipenses 1,16


 

Depois da ressurreição de Jesus, o evangelho foi proclamado pelas suas testemunhas. O conteúdo deste evangelho é registrado no livro de Atos e nas cartas de Paulo. Tendo ressuscitado dentre os mortos, Jesus Cristo novamente evangeliza (Ef 2,16-18), mas o faz agora através de Seus representantes designados (Rm 15,16-18). Mais do que isso, Cristo tornou-se, e é o tema central do evangelho, o Proclamador é agora Proclamado. Isso é repetidamente afirmado por Lucas (Atos 5,42, 8, 4-5. 35; 11,20; 17,18) e por Paulo (Rm 1,1-4; 10,8-17; 15,19 -- 20; Fil. 1, 15-18). O próprio Cristo é o tema central da mensagem do evangelho que foi confiado a nós para compartilhar com o mundo.


 


 

II. Os Evangelhos Sinópticos


 

Porque os três primeiros evangelhos (ou sinópticos) são tão parecidos entre si?


 

1.
Sinóptico - é uma palavra que significa "visto do mesmo ângulo", "observado do mesmo ponto de vista" ou "visto sob a mesma ótica". São eles: Mateus, Marcos e Lucas. Eles mostram Jesus, que nasceu de Maria, viveu como homem, foi batizado no rio Jordão por João Batista, fez milagres, ensinou, morreu na cruz, ressuscitou e, ordenou que os discípulos anunciassem o Evangelho a todos os povos. Contudo, o estudioso da vida de Jesus, de imediato tem de se defrontar com o "problema sinóptico": Porque os três primeiros evangelhos (ou sinópticos) são tão parecidos entre si?O problema sinóptico entra em foco quando a seguinte estatística é observada: Cerca 93-95% do Evangelho de Marcos é reproduzido em Mateus e Lucas. Dos 661 versículos contidos em Marcos, todos, exceto cerca de 30, são encontrados nos outros dois sinópticos. A substância de 606 versículos pode ser encontrada em Mateus (correspondendo a 500 por causa de diferente disposição do conteúdo). Lucas reproduz cerca de 320 versículos de Marcos, incluindo 24 que Mateus não usou. Isso significa que dos 661 versículos contidos em Marcos, somente 30 não aparecem nos outros dois . Isso significa que 93-95% de Marcos é encontrado ou em Mateus ou em Lucas, mas, somente 58% de Mateus e 41% de Lucas é encontrado em Marcos (e, apenas 8% de João é comum a Marcos).


 

As concordâncias e coincidências são bem impressivas no Novo Testamento grego. Versículos idênticos nos três Evangelhos e, idênticos em dois, são imediatamente evidentes. A concordância, em um grande número de casos, é encontrada no vocabulário e na ordem de palavras. Em outros exemplos, são usados sinônimos, e é observada a ordem invertida. Também se observa que a ordem geral da narrativa de eventos é seguida. Quando um dos outros dois Evangelhos divergem da ordem de Marcos, o outro é fiel a ele. Mateus e Lucas dificilmente concordam juntos em contraposição a Marcos.


 

Este é o problema sinóptico. É a tarefa do estudante do Novo Testamento tentar explicar as semelhanças e divergências nos três Evangelhos. "Porque eles têm tantas coisas em comum, e como explicar as diferenças?".


 

É difícil para muitos, aceitar a idéia de que os escritores dos Evangelhos poderiam ter usado histórias, tanto escritas quanto orais, acerca da vida de Cristo. Sua concepção dos Evangelhos é que o Espírito Santo deu o material a cada um dos escritores de maneira mecânica; ou seja, os autores dos Evangelhos eram simplesmente penas nas mãos do Espírito Santo. Contudo, o prefácio do Evangelho de Lucas (1:1-4), afirma claramente que ele havia investigado muito inteiramente o material a ser escrito. Isso indica que Lucas teve acesso a fonte tanto orais quanto escritas. Deve ser presumido, então, que os escritores dos Evangelhos também usaram "fontes" para sua obra.


 

2. O Evangelho Segundo João – Não pode ser contado entre os sinópticos, porque João quis mostrar Jesus de outro ângulo. Ele fala de Deus, Criador do mundo, que se fez carne e habitou entre nós. Fala dos milagres e dos ensinos de Jesus, mas para provar que Jesus é Deus.


 



Foi João quem registrou a polêmica de Jesus como os fariseus, em que Jesus disse: "Eu sou o pão da vida", Jo.6.35. "Porque Eu desci do céu" (v.38); "Eu sou o pão que desceu do céu" (v.41) etc. Só João registrou palavras de Jesus, como: "Eu e pai somos um" ( Jo.10.30) e, "quem me vê a Mim vêm o Pai" (Jo.14.9) e "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em Mim, e eu em ti... " (Jo.17.21). Finalmente, o que encontramos em Mateus está em Marcos e Lucas, mas não está, de modo geral, em João. E nem tudo o que está em João encontramos nos três sinópticos.


 

Evidentemente, João era da opinião que os evangelistas sinópticos já haviam apresentado informações suficientes sobre o ministério na Galiléia e sobre o Reino de Deus; por esta razão, sua ênfase recaiu sobre a Divindade de Jesus.


 

3. O Livro de Atos – Fala da fundação da Igreja, que aconteceu no dia do Pentecoste; do viver diário dos cristão primitivos; de suas lutas; perseguições e vitórias; e, da expansão do Evangelho através das obras missionárias iniciadas com Paulo e Barnabé.


 

4. As Epístolas – Ou Cartas são interpretações dos ensinos de Jesus e o estabelecimento da doutrina cristã. Elas foram escritas para atender necessidades da época, e não, com o objetivo de compor um volume, como a Bíblia que temos hoje. Contudo, Deus estava coordenando tudo, visando o estabelecimento da doutrina cristã para que, todos os povos em todas as épocas, pudessem conhecer a Verdade do Evangelho de Cristo. Essas epístolas são:


 

Doutrinárias – Especialmente Romanos, Gálatas e Hebreus; embora as outras também tratem do assunto.


 

Um manual de vida cristã – 1ª e 2ª Coríntios, 1ª e 2ª Timóteo, Tito e 1ª, 2ª e 3ª João.

Pessoais – Efésios, Colossenses, Filipenses, 1ª e 2ª Tessalonicenses, Tiago, 1ª e 2ª Pedro e Judas.


 

5. Livro de Profecia: Apocalipse - O livro de Apocalipse de João é a previsão dos últimos acontecimentos, tanto com relação aos justos quanto aos ímpios. Trata de consumação dos tempos, com a obra de Deus chegando ao seu desfecho.


 

A VIDA PÚBLICA DE JESUS - Testemunho extra-bíblico.


 

Mateus, Marcos, Lucas e João - com todo o direito figuram em primeiro lugar como as principais fontes de estudo sobre a vida de Jesus. As poucas fontes informativas não canônicas - o historiador judeu do primeiro século, Josefo (com posteriores inserções feitas por copistas cristãos), o Tamulde Babilônico e, os escritores romanos Plínio (o Jovem), Tácito, Suetônio e Luciano - são tão lacônicas que não se revestem de valor algum, na tentativa de reconstituição da carreira de Jesus. No entanto, confirmam que Ele realmente viveu, tornou-se uma figura pública, morreu sob Pôncio Pilatos e, que num espaço de doze anos após a Sua morte, a adoração à Sua Pessoa já havia chegado à lugares tão distantes quanto Roma.


 


 

III. Objetivo dos Encontros de Formação Paroquial no Ano de 2012:


 

1. Ler o Evangelho de São Marcos num ambiente comunitário e de oração, facilitando assim um encontro pessoal com Jesus que possa gerar em nós a conversão.


 

2. Qual o objetivo do seu Grupo?


 

3. Qual o seu objetivo?


 

3. Quais os objetivos dos Grupos?


 

IV. De inicio vamos ler alguns textos nos quais são apresentadas diversas opiniões sobre Jesus, e prestando atenção no que todos os personagens dizem sobre ele, na forma como o recebe ou o valoriza, escrevam numa folha a opinião de cada um deles e qual foi a reação de Jesus.


 

1. Os demônios: ---------------------------------------------------- Mc 1,24; 3,11; 2, 6-7.

2. O povo: ------------------------------------------------------------- Mc 6,14-15; 10,47; 11,10.

3. Herodes: ------------------------------------------------------------ Mc 6,16.

4. Pedro: --------------------------------------------------------------- Mc 8,30.

5. O oficial do exército: -------------------------------------------- Mc 15,39.

6. O evangelista: ----------------------------------------------------- Mc 1,1.

7. A voz do céu: ------------------------------------------------------ Mc 1, 9-11; 9, 2- 13.

8. O Próprio Jesus: -------------------------------------------------- Mc 8,31; 9,30; 10,33; 14,61-62.

9. O que diz o seu grupo sobre Jesus (Resposta Coletiva)?

10. O que você diz de Jesus (Resposta Individual)


 


 


 

PEQUENA INTRODUÇÃO AOS SÍMBOLOS LITÚRGICOS


 


 

PEQUENA INTRODUÇÃO AOS SÍMBOLOS LITÚRGICOS

(Pequeno subsídio para a formação de leigos, no que concerne a símbolos nas celebrações litúrgicas)

L

 O que é a Liturgia?


 

A palavra liturgia vem do grego "leit", de "povo", e "urgia", que significa "ação", "serviço" ou "obra". Sendo assim, a palavra "liturgia" significa "obra pública".


 

A Liturgia inclui o conjunto de todas as cerimônias oficiais da Santa Igreja: celebração dos 7 sacramentos, sacramentais (bênção da água, do sal…) e todos os demais ritos.

Dentro da Igreja, a liturgia significa o serviço público oficial que ela mesma realiza, com duas finalidades: a glorificação de Deus e a salvação das almas (SC 112).

O Catecismo da Igreja ensina que "pela liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua na Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção." (Cat. 1069)

Isto significa que através da liturgia, Jesus continua a nos salvar; de modo especial em cada Missa, onde se atualiza a Sua santa Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão ao Céu; nela "torna-se presente a nossa redenção".

Afirma a Constituição do Concílio Vaticano II Sacrosantum Concilium:

"Com razão, portanto, a liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem, e é exercido o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, cabeça e membros. Disto se segue que toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e de seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo título e grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja". (SC,7)

Isto basta para mostrar o quanto é importante a Liturgia para o católico. Somente a Igreja, nascida sob Pedro (o primeiro Papa) e os Apóstolos, tem esta riqueza incomensurável intacta, recebida de Cristo e dos Apóstolos. Entretanto, muitos católicos ainda não conhecem o rico sentido da Liturgia, que se expressa por sinais sagrados, com ritos adequados, termos próprios, símbolos ricos, objetos litúrgicos, cores significativas, imagens, etc.

A Santa Igreja crê que a revelação completa e definitiva de Deus ao homem que se dá em Jesus. "Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. Nele o Pai disse tudo, e não haverá outra revelação senão esta." (Cat. 65)

A Santa Igreja continua a obra da Salvação. Por isso ela conserva e ensina a Verdade, e administra os 7 sacramentos"Pela liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção." (Cat. 1069)

"Como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também ele enviou os apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só porque, pregando o Evangelho a todos os homens anunciassem que o Filho de Deus com sua morte e ressurreição nos livros do poder de satanás e da morte e nos transferiu para o Reino do Pai, mas também para que levassem a efeito, por meio do sacrifício e dos sacramentos, sobre os quais gira toda a vida litúrgica, a obra de salvação que anunciavam." (SC 6)


 

No Antigo Testamento: A Lei e os profetas, os Salmos e os demais livros sapienciais, tiveram grande importância nestas celebrações, e ainda tem hoje. O próprio Jesus cantou Salmos na última Ceia. Veja algumas citações que se referem a liturgia:


 

"Moises aspergiu com sangue a Tenda e todos os utensílios do culto (liturgia)" (Hb, 9,21)

"Completados os dias do seu ministério (liturgia), Zacarias voltou para a casa" (Lc 1,23)

"Celebravam eles (os primeiros discípulos) a liturgia em honra do Senhor" (At. 13.2)


 

A Liturgia Católica, instituída por Jesus, visa celebrar (=tornar celebre), dar importância, honrar, exaltar, em comunidade, a Santíssima Trindade de modo especial e celebrar os "santos mistérios".

"Na Liturgia Deus fala a seu povo. Cristo ainda anuncia o Evangelho. E o povo responde a Deus, ora com cânticos, ora com orações. (SC,13)

Pela Liturgia a Igreja celebra o mistério de seu Senhor "até que Ele venha" e até que "Deus seja tudo em todos" (1 Cor 11,26;15,28)

Assim para celebrar a Liturgia é preciso ter uma profunda noção do que é o Cristianismo; o conhecimento da história da salvação, obra de Cristo e da missão da Igreja. Sem isto a Liturgia não pode ser bem compreendida e amada, e pode se transformar em ritos vazios.

Podemos dizer que o último tempo da história da salvação – o tempo de Cristo e da Igreja – é o tempo da Liturgia, uma vez que ela torna presente à obra redentora de Cristo pela celebração dos Sacramentos. Assim, somos também nós participantes da historia da salvação.


 

A Liturgia é a própria historia da salvação em exercício, já que nela se celebra (torna presente) tudo o que Deus realizou ao longo dos séculos para salvar os homens.

Jesus nos revelou plenamente o Pai, e ensinou-nos a comunicar com Ele. Ele é a ponte entre nós e o Pai. Ele é o Caminho, o Sacerdote único que apresenta a Deus as nossas preces (cf. Hb 5,7) é por isso que nas celebrações litúrgicas fazemos todas as ofertas a Deus " por Cristo, com Cristo e em Cristo"; tudo em seu Nome.

A Liturgia participa do grande desejo de Jesus: " Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco (…) até que ela se cumpra no Reino de Deus". (Lc 22,15-16)

Cristo está presente em sua Igreja, e de modo especial nas ações litúrgicas, para continuar a sua obra de salvação de todos os homens, de todos os tempos e de todos os lugares.

Ele está presente no sacrifício da Missa de várias formas: na pessoa do sacerdote, pois "aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz", e de modo especial, sob as espécies eucarísticas. Ele está presente nos Sacramentos; assim, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza; Ele está presente por sua Palavra, pois Ele mesmo quem fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja; e Ele está presente quando a Igreja reza: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles" (Mt 18,20)


 


 

Você sabe quais são os dias santos na Liturgia?


 

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica os dias santos, onde todo católico é obrigado a participar da Santa Missa, são:


 

Catecismo da Igreja Católica §2177 – "Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e por fim, de Todos os Santos" (CDC cân. 1246,1; n. 2043).

 
 

ALFAIAS


 

ALFAIAS LITÚRGICAS - Nome que se dá ao conjunto dos objetos litúrgicos usados nas celebrações. Deve-se também considerar aqui a Arte Sacra, que se estende, por sua vez, a tudo o que diz respeito ao culto e ao uso sagrado. "Com especial zelo a Igreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto, admitindo aquelas mudanças ou na matéria, ou na forma, ou na ornamentação que o progresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos" (SC 122c). Aqui, pode-se ver como a reforma conciliar do Vaticano II se preocupa com a dignidade das coisas sagradas. Templo, altar, sacrário, imagens, livros litúrgicos, vestes e paramentos, e todos os objetos devem, pois, manifestar a dignidade do culto, que, como expressão viva de fé, identifica-se com a natureza de Deus, a quem o povo, congregado pelo Filho e na luz do Espírito Santo, adora "em espírito e verdade" (Cf. Jo 4,23-24).

 
 

LIVROS LITÚRGICOS


 

MISSAL - Livro usado pelo sacerdote na celebração eucarística.

LECIONÁRIO - Livro que contém as leituras para a celebração. São três:

I - Lecionário dominical - Contém as leituras dos domingos e de algumas solenidades e festas.

II - Lecionário semanal - Contém as leituras dos dias de semana. A primeira leitura e o salmo responsorial estão classificados por ano par e ímpar. O evangelho é sempre o mesmo para os dois anos.

III - Lecionário santoral - Contém as leituras para as celebrações dos santos. Nele também constam as leituras para uso na administração de sacramentos e para diversas circunstâncias.

EVANGELIÁRIO - É o livro que contém o texto do evangelho para as celebrações dominicais e para as grandes solenidades.


 

ESPAÇO CELEBRATIVO


 

ALTAR - Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebração eucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo.

AMBÃO - Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama a palavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e do animador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão.

CREDÊNCIA - Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serão utilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar.

PRESBITÉRIO - espaço ao redor do altar, geralmente um pouco mais elevado, onde se realizam os principais ritos sagrados.

NAVE DA IGREJA - Espaço do templo reservado aos fiéis.

SACRÁRIO - Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna onde são guardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se que fique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral.

PÚLPITO - Lugar nas igrejas antigas de onde o presidente fazia a pregação. Hoje, praticamente não é mais usado.

 
 

OBJETOS LITÚRGICOS


 

CORPORAL - Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice com o vinho e a patena com o pão.

MANUSTÉRGIO - Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito do Lavabo. Em tamanho menor, é usada pelos ministros da Eucaristia, para enxugarem os dedos.

PALA - Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.

SANGUINHO - Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e os dedos.

VÉU DE ÂMBULA - Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando esta contém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu forte simbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo em que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro. (O véu da noiva, na liturgia do Matrimônio, tem também esta significação simbólica, embora, na prática, não seja assim percebido, muitas vezes passando como mero adorno de ostentação).

ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE - É um recipiente para a conservação e distribuição das hóstias aos fiéis.

CÁLICE - Recipiente onde se consagra o vinho durante a missa.

CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO - A caldeirinha é uma pequena vasilha, onde se coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento com o qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na liturgia são inseparáveis.

CASTIÇAL - Utensílio que se usa para suporte de uma vela.

CANDELABRO - Grande castiçal, com várias ramificações, a cada uma das quais corresponde um foco de luz.

PATENA - Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante a celebração da missa.

BACIA E JARRA - Em tamanho pequeno, contendo a jarra a água, para o rito do "Lavabo", na preparação e apresentações dos dons.

CÍRIO PASCAL - Vela grande, que é benta solenemente na Vigília Pascal do Sábado Santo e que permanece nas celebrações até o Domingo de Pentecostes. Acende-se também nas celebrações do Batismo.

CRUZ - Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mas também uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar.


VELAS - As velas comuns, porém de bom gosto, que se colocam no altar, geralmente em número de duas, em dois castiçais.

OSTENSÓRIO - Objeto que serve para expor a hóstia consagrada, para adoração dos fiéis e para dar a bênção eucarística.

CUSTÓDIA - Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada para exposição do Santíssimo. É parte fixa do Ostensório.

LUNETA - Peça circular do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para a exposição do Santíssimo. É peça móvel.

GALHETAS - São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para a celebração da missa.

HÓSTIA - Pão não fermentado (ázimo), usado na celebração eucarística. Aqui se entende a hóstia maior. É comum a forma circular.

PARTÍCULA - O mesmo que hóstia, porém em tamanho pequeno e destinado geralmente à comunhão dos fiéis.

RESERVA EUCARÍSTICA - Nome que se dá às partículas consagradas, guardadas no sacrário e destinadas, sobretudo aos doentes e à adoração dos fiéis, em visita ao Santíssimo. Devem ser consumidas na missa seguinte.

INCENSO - É uma resina aromática, extraída de várias plantas, usada sobre brasas, nas celebrações solenes.

NAVETA - Pequeno vaso onde se transporta o incenso nas celebrações litúrgicas.

TECA - Pequeno estojo, geralmente de metal, onde se leva a Eucaristia para os doentes. Usa-se também, em tamanho maior, na celebração eucarística, para conter as partículas.


TURÍBULO - Vaso utilizado nas incensações durante a celebração. Nele se colocam brasas e o incenso.

 
 

OUTROS SÍMBOLOS


 

IHS - Iniciais das palavras latinas Iesus Hominum Salvator, que significam: Jesus Salvador dos homens. Empregam-se sempre em paramentos litúrgicos, em portas de sacrário e nas hóstias.

ALFA E ÔMEGA - Primeira e última letra do alfabeto grego. No Cristianismo aplicam-se a Cristo, princípio e fim de todas as coisas.

TRIÂNGULO - Com seus três ângulos iguais (equilátero), o triângulo simboliza a Santíssima Trindade. É um símbolo não muito conhecido pelo nosso povo.

INRI - São as iniciais das palavras latinas Iesus Nazarenus Rex Iudaerum, que querem dizer: Jesus Nazareno Rei dos Judeus, mandadas colocar por Pilatos na crucifixão de Jesus (Cf. Jo 19,19).

XP - Estas letras, do alfabeto grego, correspondem em português a C e R. Unidas, formam as iniciais da palavra CRISTÓS (Cristo). Esta significação simbólica é, porém, ignorada por muitos.

 
 

VESTES LITÚRGICAS


 

Vestes usadas pelos ministros ordenados. São elas:

ALVA - Túnica longa, de cor branca.

TÚNICA - O mesmo que alva. Atualmente pode ser de cor neutra.

AMITO - Pano que o ministro coloca ao redor do pescoço antes de outras vestes litúrgicas.

CASULA - Veste própria do sacerdote que preside a celebração. Espécie de manto que se veste sobre a alva e a estola.

ESTOLA - Veste litúrgica do sacerdote. Os diáconos também a usam, porém a tiracolo, sobre o ombro esquerdo, pendendo-a do lado direito.

CAPA PLUVIAL - Capa longa, que o sacerdote usa ao dar a bênção do Santíssimo ou ao conduzi-lo nas procissões. Usa-se também no rito de aspersão da assembleia e na celebração do matrimônio.


CÍNGULO - Cordão com o qual se prende a alva ao redor da cintura.

VÉU UMERAL - Chama-se também véu de ombros. Manto retangular, de cor dourada, usado pelo sacerdote na bênção do Santíssimo.

DALMÁTICA - Veste própria do diácono. É colocada sobre a alva e a estola.

 
 

CORES LITÚRGICAS


 

As cores dizem respeito à toalha do altar e do ambão e às vestes litúrgicas. São elas:


 

O BRANCO - Simboliza a vitória, a paz, a alma pura, a alegria. Usa-se: na Quinta-feira Santa, na Vigília Pascal do Sábado Santo, em todo o Tempo Pascal, no Natal, no Tempo do Natal, nas festas dos santos (quando não mártires) e nas festas do Senhor (exceto as da Paixão). É a cor predominante da ressurreição.

O VERMELHO - Simboliza o fogo, o sangue, o amor divino, o martírio. É usado: no Domingo de Ramos e da Paixão, na Sexta-Feira da Paixão, no Domingo de Pentecostes, nas festas dos apóstolos, dos santos mártires e dos evangelistas.

O VERDE - É a cor da esperança. Usa-se no Tempo Comum. (Quando no TC se celebra uma festa do Senhor ou dos santos, usa-se então a cor da festa).

O ROXO - Simboliza a penitência. Usa-se no Tempo do Advento e da Quaresma. Pode-se também usar nos ofícios e missas pelos mortos. (Quanto ao Advento, está havendo uma tendência a se usar o violeta, em vez do roxo, para distinguí-lo da Quaresma, pois Advento é tempo de feliz expectativa e de esperança, num viver sóbrio, e não de penitência, como a Quaresma).

O PRETO - É símbolo de luto. Pode ser usado nas missas pelos mortos, mas nessas celebrações pode-se usar também o branco, dando-se então ênfase não à dor, mas à ressurreição.

O ROSA - Simboliza também a alegria. Pode ser usado no 3º Domingo do Advento, chamado "Gaudete", e no 4º Domingo da Quaresma, chamado aqui "Laetare", ambos os domingos da alegria.


 

POSIÇÕES CORPORAIS


 

Na liturgia toda a pessoa é chamada a participar. Sentido, corpo, espírito. Assim, os gestos corporais são também vivamente litúrgicos. E como no corpo humano cada membro tem uma função própria, a serviço, porém, de todo o corpo, assim, na liturgia, cada gesto do corpo recebe um simbolismo próprio, a serviço de todo o ato celebrativo. Assim, temos:

AS MÃOS - Que ora se erguem em louvor; ora se estendem em abertura e oferecimento; ora se elevam em súplica; ora se juntam em recolhimento; ora se abrem em oferta. Também se faz a imposição de mãos nas ordenações.

OS PÉS - Não só caminham nas procissões litúrgicas, em sentido simbólico de peregrinação, como também se prestam para o ritmo de danças. Na missa da Quinta-Feira Santa são lavados em memória do mandamento novo da última Ceia do Senhor com seus discípulos. Podemos pensar nos pés do Cristo Peregrino, nas estradas difíceis da Palestina, identificados com os nossos pés, na difícil caminhada de nossa vida.

OS OLHOS - Na leitura eucarística, principalmente, os olhos devem ver, enxergar, contemplar. Aqui o mistério é "visto". Daí, a atenção que se requer para os movimentos litúrgicos que se realizam no altar.

OS OUVIDOS - Na Liturgia da Palavra, nosso sentido auditivo é chamado a participar mais vivamente. Trata-se de ouvir, como no Antigo Testamento: "Ouve Israel...", a oração judaica mais preciosa (o Xemá judaico, no convite de Dt 6,4).


OUTROS MOVIMENTOS E GESTOS CORPORAIS - Podemos falar ainda: de ajoelhar-se, de prostrar-se, de sentar-se, de ficar de pé, como também de persignar-se, de traçar o sinal da cruz. Ainda falamos de genuflexão, do gesto sereno da vênia, este como reverência diante do Santíssimo e de autoridades eclesiásticas. Atente-se pelo fato de a posição "de pé", na liturgia, ser a mais expressiva, por indicar prontidão e nos revelar a atitude de ressuscitados. É como Cristo se mostra depois da ressurreição (Cf. Jo 20,14; 21,4; Ap 5,6).

 
 

SÍMBOLOS LITÚRGICOS LIGADOS À NATUREZA


 

A ÁGUA - A água simboliza a vida (remete-nos sobretudo ao nosso batismo, onde renascemos para uma vida nova). Pode simbolizar também a morte (enquanto por ela morremos para o pecado). Nesse sentido, ela é mãe e sepulcro, de acordo com os Santos Padres. (Ver a referência litúrgica do nº 67, em que se fala da água, nos ritos do Batismo, do Lavabo e do "asperges").

O FOGO - O fogo ora queima, ora aquece, ora brilha, ora purifica. Está presente na liturgia da Vigília Pascal do Sábado Santo e nas incensações, como as brasas nos turíbulos. O fogo pode multiplicar-se indefinidamente. Daí, sua forte expressão simbólica. É símbolo sobretudo da ação do Espírito Santo (Cf. Eclo 48,1; Lc 3,16; 12,49; At 2,3; 1Ts 5,19), e do próprio Deus, como fogo devorador (Cf. Ex 24,17; Is 33,14; Hb 12,29).

A LUZ - A luz brilha, em oposição às trevas, e mesmo no plano natural é necessária à vida, como a luz do sol. Ela mostra o caminho ao peregrino errante. A luz produz harmonia e projeta a paz. Como o fogo, pode multiplicar-se indefinidamente. Uma pequenina chama pode estender-se a um número infinito de chamas e destruir, assim, a mais espessa nuvem de trevas. É o símbolo mais expressivo do Cristo Vivo, como no Círio Pascal. A luz e, pois, a expressão mais viva da ressurreição.


O PÃO E O VINHO - Símbolos do alimento humano. Trigo moído e uva espremida, sinais do sacrifício da natureza, em favor dos homens. Elementos tomados por Cristo para significarem o seu próprio sacrifício redentor.

O INCENSO - Sua fumaça simboliza, pois, a oração dos santos, que sobe a Deus, ora como louvor, ora como súplica (Cf. Sl 140(141)2; Ap 8,4).

O ÓLEO - Temos na liturgia os óleos dos Catecúmenos, do Crisma e dos Enfermos, usados liturgicamente nos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Nos três sacramentos, trata-se do gesto litúrgico da unção. Aqui vemos que o objeto - no caso, o óleo - além de ele próprio ser um símbolo, faz nascer uma ação, isto é, o gesto simbólico de ungir. Tal também acontece com a água: ela supõe e cria o banho lustral, de purificação, como nos ritos do Batismo e do "lavabo" (abluções), e do "asperges", este em sentido duplo: na missa, como rito penitencial, e na Vigília do Sábado Santo, como memória pascal de nosso Batismo. A esses gestos litúrgicos e tantos outros, podemos chamar de "símbolos rituais". A unção com o óleo atravessa toda a história do Antigo Testamento, na consagração de reis, profetas e sacerdotes, e culmina no Novo Testamento, com a unção misteriosa de Cristo, o verdadeiro Ungido de Deus (Cf. Is 61,1; Lc 4,18). A palavra Cristo significa, pois, ungido. No caso, o Ungido, por excelência.

AS CINZAS - As cinzas, principalmente na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, são para nós sinal de penitência, de humildade e de reconhecimento de nossa natureza mortal. Mas estas mesmas cinzas estão intimamente ligadas ao Mistério Pascal. Não nos esqueçamos de que elas são fruto das palmas do Domingo de Ramos do ano anterior, geralmente queimadas na Quaresma, para o rito quaresmal das cinzas.


 

CONCLUSÃO:


 

Encerrando esse pequeno subsídio, guardemos então que toda a liturgia é ação simbólica. Assim, poderíamos ainda falar: do templo, da assembléia, dos sinos, do jejum, da esmola, das bênçãos, da ceia, da coroa do Advento, da palma, das flores, do anel, do canto, do abraço, da música, do cordeiro, da hóstia, dos ícones, do confessionário, do batistério, da arte sacra (em toda a sua vasta extensão) etc., como também, ainda, de tudo aquilo que diz respeito aos sentidos, tais como: olfato: o cheiro do incenso e das flores; paladar: o gosto do pão e do vinho; tato: o toque, seja na imposição de mãos de ritos sagrados, seja nas mãos que se unem às dos irmãos, seja no toque de coisas sagradas; visão e audição: como se falou nos nºs. 59 e 60 deste trabalho etc.. Enfim, é todo um universo simbólico, que nos convida a mergulhar cada vez mais no mistério infinito do amor de Deus.

 
 


 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Igreja dá salto no ranking da confiança


Igreja dá salto no ranking da confiança

Instituição passou de 7º para 2º lugar, diz levantamento da FGV; para pesquisadora, polêmica do aborto na campanha eleitoral impulsionou índice
Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo - 17 de novembro de 2010 | 20h 34
SÃO PAULO - A confiança da população nas instituições sofreu mudança importante no último trimestre. É o que revela pesquisa do Índice de Confiança na Justiça (ICJ Brasil), produzido pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (Direito GV). Enquanto o Judiciário ficou em situação desconfortável, empatada com a polícia e à frente apenas do Congresso e dos partidos políticos, a Igreja saltou do 7.º lugar para a segunda posição.
Para Luciana Gross Cunha, professora da Direito GV e coordenadora do ICJ Brasil, a controvérsia sobre o aborto travada entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais pesou decisivamente para o aumento do índice de confiança na Igreja.
A questão foi levantada por d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos. Ele mandou produzir 1 milhão de cópias do "apelo a todos os brasileiros" com recomendação expressa para que não votassem em candidato ou partido que defendesse o aborto - referência direta à Dilma Rousseff e ao PT.
Os folhetos foram confiscados pela Polícia Federal, por ordem do Tribunal Superior Eleitoral que acolheu ação do PT, mas d. Luiz não se intimidou e insistiu em sua cruzada.
"A Igreja estava em um grau baixo de avaliação quando foi feita a apuração no segundo trimestre, muito perto da crise envolvendo a instituição com denúncias de pedofilia", observa Luciana. "A última fase da coleta coincidiu com a discussão sobre o aborto nas eleições presidenciais. Isso fez a diferença."
A professora destaca que o tema aborto não foi citado na consulta. "A gente pede resposta de forma espontânea para dizer se a instituição é confiável ou não. Mas é evidente que é esse (o ataque ao aborto) o motivo principal do aumento significativo da confiança na Igreja."
Nesse trimestre 54% dos entrevistados disseram que a Igreja é uma instituição confiável. No segundo trimestre 34% deram essa resposta. "A Igreja só perde para as Forças Armadas e ganha de longe do governo federal e, inclusive, das emissoras de TV que normalmente são instituições consideradas confiáveis pela população", assinala Luciana.
Já a confiança nos partidos políticos despencou de 21% para 8% no mesmo período de eleições, mantendo-se em última posição na escala. "Ao mesmo tempo em que a Igreja sobe, os partidos políticos têm uma queda enorme no nível de confiança", ressalta a coordenadora.
Apenas 33% disseram que o Judiciário é confiável. O Congresso ficou com 20%. As outras instituições obtiveram os seguintes resultados: Grandes Empresas (44%), governo federal (41%), emissoras de TV (44%) e imprensa escrita (41%).
O ICJ Brasil foi criado pela Direito GV para verificar o grau de confiança no Judiciário e como a população utiliza o poder para a reivindicação de direitos e busca por soluções. No Distrito Federal é maior a confiança no Judiciário, desbancando a liderança do Rio Grande do Sul que, desde o início da sondagem, em julho de 2009, ocupava o posto. Minas Gerais e Pernambuco são os Estados onde a população menos confia no Judiciário.
Prestígio
"A confiança no Judiciário cresce à medida que aumenta a renda e a escolaridade dos entrevistados", explica Luciana Gross. "É maior entre moradores do interior, se comparado entre moradores das capitais, e entre os homens se comparado com as mulheres. O ICJ Brasil também apurou que quem se declara negro, pardo ou indígena confia menos no Judiciário do que quem se declara branco ou amarelo."
Apesar do pouco prestígio com a população, a Justiça, de forma geral, está melhor hoje e tende a melhorar mais no futuro, segundo a investigação da GV Direito: para 47% dos entrevistados, o Judiciário melhorou nos últimos 5 anos e para 67% ele tende a melhorar nos próximos 5 anos. Quase metade dos entrevistados (41%) declarou que já entrou com algum processo na Justiça, por questões trabalhistas, assuntos relativos ao direito do consumidor e de família.

Confiança na Igreja Católica cresce 4% em um ano, segundo FGV

Confiança na Igreja Católica cresce 4% em um ano, segundo FGV

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) faz pesquisa e publica o índice de confiança dos brasileiros nas instituições. Em 2010, antes das eleições, no primeiro semestre, a Igreja Católica ocupava a sétima posição no ranking, com 34% de confiança.  


Em 01.07.2010, publicamos, sob o título Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, a recomendação aos diocesanos para que não votassem na candidata Dilma Rousseff, no PT e em todos os partidos e candidatos que tinham como proposta a descriminalização do aborto, que é um assassinato de uma pessoa inocente e indefesa.

Depois dos debates sobre o aborto e uma "agenda de valores" nas eleições, a Igreja saltou do sétimo lugar, com 34%, para o segundo lugar (AQUI), atingindo 54% de confiança.  Essa variação de  20% correspondeu a um acréscimo de 38 milhões de brasileiros que voltaram a ter confiança na Igreja Católica. 


A FGV publicou nova pesquisa recentemente, referente ao último trimestre de 2011, na qual ouviu 1.550 brasileiros, distribuídos por todos os estados. As Forças Armadas permaneceram em primeiro lugar, a Igreja Católica manteve o segundo e o Ministério Público subiu para terceiro lugar na confiança dos brasileiros.


Na comparação entre a pesquisa do final de 2010, quando a Igreja alcançou 54% de aprovação,  com a do final de 2011, quando atingiu 58%, observa-se um crescimento  de 4%, em um ano. Isso significa que, dos 190 milhões de brasileiros, mais 7,6 milhões passaram a considerar a Igreja Católica uma das instituições brasileiras mais confiáveis.


Ter 58% de confiança da população brasileira significa que 110,2 milhões de brasileiros consideram a Igreja Católica confiável. 


Estamos jubilosos, juntamente com todos os católicos e cristãos. Nosso lema episcopal é "É preciso que Jesus cresça", em latim Oportet Illum Crescere.  Precisamos que Ele cresça, para que a humanidade melhore.  E Jesus Cristo está crescendo! 

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
  Bispo Emérito de Guarulhos
        Jornalista MTb 123

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PORTA FIDEI (PORTA DA FÉ)

SÃO PAULO 25 DE FEVEREIRO DE 2012

TEMA: PORTA FIDEI (PORTA DA FÉ) – Carta Apostólica do Papa Bento XVI.


Caros irmãos (as) o Retiro é uma ocasião especial, quando deixamos os nossos afazeres cotidiano para adentrarmos dentro de nós mesmo em busca de algo extra-ordinário, é o momento em que devemos nos deparar conosco mesmo, com a nossa solidão, medos, questionamentos existenciais. Mas também pode ser um instante sublime, de encontro com o todo Outro, Deus que desde todos os tempos tem nos devotado tamanho amor e compaixão “ Seu amor existe desde sempre e para sempre existirá por aqueles que o temem; sua justiça é para os filhos dos filhos, para os que observam sua aliança e se lembram de cumprir suas ordens. Ele é compaixão e piedade, lento para a cólera e cheio de amor;… nunca nos trata conforme nossos erros, nem nos devolve segundo nossas culpas, como o céu que se alteia sobre a terra, é forte seu amor por aqueles que o temem, como o oriente está longe do ocidente, ele afasta de nós as nossas transgressões.” (Cf. Sl 103(102)).

Hoje vos convido a fazer o itinerário da fé com o Papa Bento XVI que em sua Carta Apostólica Porta Fidei nos convida a celebrar o ano da Fé que terá seu inicio  a 11 de outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e seu termino na Solenidade  de Cristo Rei do Universo, a 24 de novembro de 2013, onde se completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica.

Como ele próprio afirma é um convite solene a toda a Igreja para que haja “uma autêntica e sincera profissão de fé, confirmada de maneira individual e coletiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca, retomando a exata consciência da fé reavivando, purificado, confirmando, confessando, compreendendo e aprofundando-a em seus conteúdos essenciais e  dando  testemunho coerente deles em condições históricas diversas. É um convite para uma autentica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo”[1].

 A Porta da Fé (Cf. At 14,27; 1Cor 16,9; 2Cor 2,12; Cl 4,3), nos introduz na vida de comunhão com Deus e nos permite a adentrar à Igreja, que está sempre aberta para nós, quando a Palavra de Deus é anunciada e o nosso coração se deixa modelar-se pela graça que transforma e assim nos embrenhamos num caminho que dura para sempre. Este caminho tem seu inicio com o Batismo e se conclui com a passagem da morte para a vida eterna que é fruto da Ressurreição de Jesus e dom do Espírito Santo, querendo que participássemos da sua própria glória  a todos que cremos n’Ele (cf. 1Jo 17, 22).

Deus é Amor, Trino-Uno, Pai que na plenitude dos tempos enviou seu Filho único para nossa salvação, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição, nos enviando o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos, e que aguarda o regresso glorioso do Senhor.
O mundo contemporâneo passa por uma grande crise de fé, imbuídos com as consequências sociais,   culturais e políticas muitas pessoas acabam negando a fé. A Igreja, no seu conjunto, e os Pastores, nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens para fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude.

Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz seja escondida (Cf. Mt 5,13-16). Também hoje podemos sentir de novo a necessidade de irmos à fonte (Cf. 4, 14) e lá ouvirmos a Jesus que nos convida a crê n’Ele e a beber da água viva, e assim readquirirmos o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (Cf. Jo 6,51). Crer em Jesus Cristo é o caminho para poder chegar definitivamente à salvação (Cf. Jo 6,29).

A Igreja clama  por uma nova evangelização (renovação) para a transmissão da fé cristã. O Papa Bento nos indica como itinerário para o crescimento da Fé:

 - O Concílio Vaticano II lido e guiado por uma justa hermenêutica (interpretação);

- O testemunho próprio da vida dos crentes chamados a fazer brilhar, com sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou e citando a Constituição dogmática Lumen Gentium 22  afirma: “Enquanto Cristo, Santo, inocente, imaculado (Heb 7,26), não conheceu o pecado (2Cor 5,21), mas veio para expiar apenas os pecados do povo (Heb 2,17), a Igreja, reunindo em seu próprio seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e sempre na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitencia e a renovação. Entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus avança, peregrina, a Igreja, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que ele venha (1Cor 11,26). È Fortalecida pela força do Senhor ressuscitado, afim de vencer pela paciência e pela caridade de suas aflições e dificuldades tento internas quanto externas, para poder revelar ao mundo o mistério d’Ele, embora entre sobras, porém com fidelidade, até que por fim seja manifestado em plena luz”.

- A autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do Mundo que pelo Batismo, em virtude da Fé nos concedeu uma vida nova, plasmando toda a nossa existência segundo a novidade radical de sua morte e ressurreição (Cf. At 5,31; Rm 6,4). E assim sendo abrindo-se livre e plenamente a conversão, os pensamentos e afetos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo aos poucos purificados e transformados, ao longo de um itinerário que chegará a sua plenitude quando nos encontrarmos com o eterno outro; Jesus Cristo.

- A vivência do amor, é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. A fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferece um testemunho que é capaz de gerar: abrindo o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o Convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de tornarem seus discípulos.


Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquerir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem sua a  origem em Deus.

- O Catecismo da Igreja Católica - sua síntese sistemática e orgânica  é norma segura para o ensino da fé e instrumento valido e legítimo à obra de renovação da fé e ao serviço da comunhão eclesial.
 Nele,  sobressai a riqueza de doutrina que a igreja escolheu, guardou e ofereceu, desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece a Memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a Fé e progrediu na doutrina para dar a certeza aos crentes na sua fé.

Objetivo do Ano da Fé

1.    Fazer publicamente a profissão do Credo;
2.    Suscitar em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com convicção, com confiança e esperança;
3.    Intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucarístia, que é a meta para qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força;
4.    Estimular para que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade;
5.    Redescobrir os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada;
6.    Refletir sobre o próprio ato com que se crê como um compromisso que deve ser assumido.

Princípios que nos ajuda a compreender de modo profundo os conteúdos da fé:

1.    Acreditar com o coração e com a boca fazer a profissão de Fé (Cf. Rm 10,10), é o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação de graças que age e transforma a pessoa até o mais intimo dela mesma (Cf. At. 16,14);
2.    Assumir um testemunho e um compromisso públicos (Cf.. At. 2, 1-41; 3 11-16; 6,8-15) O cristão não pode jamais pensar que o  crer seja um fato privado. Assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E estar com Ele introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita;
3.    A fé é um ato simultaneamente pessoal e comunitário, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Batismo, sinal eficaz de entrada no povo dos crentes para obter a salvação;
4.    O conhecimento dos conteúdos da fé é essencial para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico  revelado por Deus, implicando que quando se acredita se aceita livremente o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que se revela e permite conhecer o seu mistério de amor;
5.    A busca sincera a cerca da sua própria existência e da do mundo é um verdadeiro inicio da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. Convite inscrito na razão do homem para se pôr a caminho ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele não tivesse já vindo ao nosso encontro.
6.    Jesus Cristo é o autor e consumador da Fé (Cf. Hb 12,2): n’Ele encontra a plena realização toda ânsia e desejo intenso do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão diante da ofensa recebida e a vitoria sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-se homem, do partilhar conosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição.


Concluindo:

A Fé exemplar é uma posse antecipada do que se espera (o céu), convicção das não desejadas (o inferno), é um meio de demonstrar as realidades que não se vêem( a vida perfeita inaugurada por Jesus na sua ressurreição). (Cf. Hb 11, 1-40)











[1] Carta Apostólica Porta Fidei: Edições Paulinas 2011. São Paulo, nn. 6-9.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tuberculose

Tratamento interrompido fortalece o bacilo e pode trazer de volta a doença que causou pavor no passado.

O que é?

Doença grave, transmitida pelo ar, que pode atingir todos os órgãos do corpo, em especial nos pulmões. O microorganismo causador da doença é o bacilo de Koch, cientificamente chamado Mycobacterium tuberculosis.

Processo de disseminação da tuberculose

1º passo

Apesar de também atingir vários órgãos do corpo, a doença só é transmitida por quem estiver infectado com o bacilo nos pulmões.
2º passo

A disseminação acontece pelo ar. O espirro de uma pessoa infectada joga no ar cerca de dois milhões de bacilos. Pela tosse, cerca de 3,5 mil partículas são liberadas.
3º passo

Os bacilos da tuberculose jogados no ar permanacem em suspensão durante horas. Quem respira em um ambiente por onde passou um tuberculoso pode se infectar.


A tuberculose pulmonar

Processo inflamatório

O indivíduo que entra em contato pela primeira vez com o bacilo de Koch não tem, ainda, resistência natural. Mas adquire. Se o organismo não estiver debilitado, consegue matar o microorganismo antes que este se instale como doença. É, também, estabelecida a proteção contra futuras infecções pelo bacilo.

Tuberculose primária

Após um período de 15 dias, os bacilos passam a se multiplicar facilmente nos pulmões, pois ainda não há proteção natural do organismo contra a doença. Se o sistema de defesa não conseguir encurralar o bacilo, instala-se a tuberculose primária, caracterizada por pequenas lesões (nódulos) nos pulmões.

Caverna tuberculosa

Com o tempo e sem o tratamento, o avanço da doença começa a provocar sintomas mais graves. De pequenas lesões, os bacilos cavam as chamadas cavernas tuberculosas, no pulmão, que costumam inflamar com freqüência e sangrar. A tosse, nesse caso, não é seca, mas com pus e sangue. É a chamada hemoptise.

Por que nos pulmões?

Como o bacilo de Koch se reproduz e desenvolve rapidamente em áreas do corpo com muito oxigênio, o pulmão é o principal órgão atingido pela tuberculose.


Sintomas

  • Tosse crônica (o grande marcador da doença é a tosse durante mais de 21 dias);
  • Febre;
  • Suor noturno (que chega a molhar o lençol)
  • Dor no tórax;
  • Perda de peso lenta e progressiva;
  • Quem tem tuberculose não sente fome, fica anoréxico (sem apetite) e com adinamia (sem disposição para nada).

Tratamento

A prevenção usual é a vacina BCG, aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves da doença. Se houver a contaminação, o tratamento consiste basicamente na combinação de três medicamentos: rifampicina, isoniazida e pirazinamida. O tratamento dura em torno de seis meses. Se o tuberculoso tomar as medicações corretamente, as chances de cura chegam a 95%. É fundamental não interromper o tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam.

Tuberculose resistente

Atualmente, consiste na principal preocupação mundial em relação à doença. O abandono do tratamento faz com que os bacilos tornem-se resistentes aos medicamentos e estes deixam de surtir efeito. A tuberculose resistente pode desencadear uma nova onda da doença virtualmente incurável em todo o mundo.

Números da doença

  • 1/3 da população mundial está infectado com o bacilo da tuberculose;
  • 45 milhões de brasileiros estão infectados;
  • 5% a 10% dos infectados contraem a doença;
  • 30 milhões de pessoas no mundo podem morrer da doença nos próximos dez anos;
  • 6 mil brasileiros morrem de tuberculose por ano.

Dengue é o fim da picada!

Dengue é o fim da picada!

Fêmea do mosquito se alimentando*
Fêmea do mosquito se alimentando*
Jornais, programas de rádio e de televisão não param de noticiar um tema: a dengue. E é importante que façam isso pois é um assunto com o qual realmente devemos nos preocupar. Nos últimos anos, a doença tem aparecido em diversas regiões do país, chegando a gerar epidemias em alguns estados. Isto quer dizer que muitas pessoas estão adoecendo rapidamente.
E você, conhece alguém que já teve dengue? Sabe o que sente quem está com a doença? Afinal, você sabe mesmo o que é a dengue?
A dengue é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. É um inseto pequeno, com aparência inofensiva, preto e com riscas brancas no corpo e nas pernas.
Embora a dengue seja uma única doença, a dengue clássica pode se agravar e transformar em dengue hemorrágica. Quando infectada, a pessoa pode ter febres, dores no corpo e na cabeça, vômitos e, no caso da dengue hemorrágica, sangramentos. Quando não tratada de forma correta, a dengue pode causar até a morte.  
Vírus da dengue (2)
Vírus da dengue (2)
Como pego dengue?
Qualquer pessoa pode contrair dengue. O mosquito transmissor da doença é comum em locais de grande concentração humana.  Na verdade, somente a fêmea do mosquito se alimenta de sangue e transmite o vírus através da picada. Ela precisa de sangue para a produção de seus ovos.
Existem quatro tipos de vírus: Den-1, Den-2, Den-3 e Den-4. Todos eles podem causar dengue.
Normalmente o mosquito precisa picar alguém para adquirir o vírus. Entretanto, algumas vezes, as fêmeas também transmitem o vírus para suas crias. Uma vez infectada pelo vírus, a fêmea transmite a dengue até morrer. Durante sua vida, que dura em torno de trinta dias, ela coloca mais de mil ovos e pode picar e infectar muitas pessoas. 
Como a dor pela picada do Aedes aegypti pode passar despercebida e ela não deixa marcas na pele, muitas vezes é difícil perceber o ataque do mosquito, única forma de transmissão da dengue. Não se pega dengue pelo contato com pessoas infectadas ou por fontes como água e comida.
O exantema desaparece sob pressão (3)
O exantema desaparece sob pressão (3)
Como sei que estou com dengue?
Os primeiros sintomas da dengue são: febre súbita e alta, dores de cabeça, musculares, nos ossos e articulações, manchas vermelhas na pele, cansaço, vômitos, náuseas, falta de apetite, diarreia e dores atrás dos olhos.
Quando a dengue se agrava para a forma hemorrágica podem aparecer novos sintomas: fortes dores na região do abdomên, vômitos intensos, pele pálida, fria e úmida, sangramentos na boca, na gengiva ou no nariz, pulso fraco, dificuldade de respiração, sensação de boca seca, muita sede e perda de consciência.
E como faço para tratar?
Se você contrair dengue ou tiver a suspeita de estar doente, procure o médico imediatamente. Não tome remédios por conta própria, pois existem medicamentos que podem ter efeitos colaterais ou ainda piorar a doença. Fórmulas que contém o ácido acetil-salicílico, como AAS®, Aspirina® e Melhoral®, por exemplo, podem aumentar o risco de sangramentos.
Dengue hemorrágica(4)
Dengue hemorrágica(4)
Não há um tramento específico para os doentes com dengue. Os primeiros sintomas como febres, dores de cabeça e no corpo, devem ser tratados com remédios prescritos pelos médicos. Além disso, é importante que o doente fique em repouso e beba bastante líquido.
No caso de pacientes com dengue hemorrágica, os cuidados devem ser redobrados. O tratamento também deve ser baseado na reidratação, mas é necessária uma observação médica mais rigorosa. Isto porque a diminuição do número de plaquetas pode facilitar a perda de líquido da circulação sanguínea para o corpo, fazendo com que ocorram quedas de pressão arterial que podem levar o paciente à morte.
O que posso fazer para evitar a dengue?
Não existe vacina contra a dengue. Os carros chamados "fumacês", que passam pelas ruas espalhando inseticidas, não são indicados. Eles apenas matam os mosquitos adultos e na verdade, dificilmente conseguem atingi-los. Outros métodos, como inseticidas de tomada, em aerosol ou raquetes elétricas também prometem acabar com o transmissor da doença. Mas nenhum deles consegue ser eficiente o bastante. Eliminar os numerosos mosquitos é uma tarefa muito difícil.
Ovos do A. aegypti. Photo: CDC
Ovos do A. aegypti. Photo: CDC
Por isso, a melhor forma de combater a dengue é eliminando os criadouros dos mosquitos, locais onde eles colocam os ovos e se reproduzem. O Aedes aegypti não deixa seus ovos em qualquer lugar: a fêmea deposita os ovos em partes úmidas de vários recipientes que acumulam água limpa. Quando entram em contato com a água os ovos eclodem e originam as larvas.
Você imagina onde podem estar esses recipientes? Acredite, eles estão muito próximos de você...
O mosquito transmissor da dengue vive dentro mesmo de nossos lares, escondido sob cadeiras, mesas, armários, etc. Dessa forma, os locais que eles utilizam para colocarem seus ovos também fazem parte de nossas casas: são caixas d’água, barris, pratinhos de vasos de plantas, potes, tanques, jarros de flores, latas, pneus, calhas de telhados... Tudo muito perto da gente. É por isso que todos podemos ajudar a combater o mosquito.
Veja como, com dicas fáceis de seguir:
Foto: Portal Governo/DF.
Foto: Portal Governo/DF.
# Mantenha a caixa d’água fechada;
# Se não puder eliminar, coloque e mantenha sempre com areia os pratinhos dos vasos de plantas ou xaxins;
# Lave com bucha e sabão tonéis ou depósitos de água, fechando com tampa ou tela;
# Deixe a tampa de vasos sanitários sempre fechada;
# Guarde garrafas e baldes vazios de cabeça para baixo;
# Entregue pneus velhos ao Serviço de Limpeza Urbana ou guarde em locais cobertos;
# Feche bem sacos plásticos e mantenha a lixeira tampada;
#Verifique semanalmente bandejas que acumulam água em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado;
# Não deixe acumular água em fosso de elevadores;
# Plantas que acumulam água, como bromélias, devem ser verificadas pelo menos uma vez por semana e devem ter a água trocada;
# Jogue todos os objetos que não tenham utilidade e possam acumular água no lixo;
# Verifique se todos os ralos da casa estão desinfetados e, se não estiver usando, deixe-os fechados;
# Lave bem o suporte de garrafões de água mineral na hora da troca;
# Se você protege seu muro com cacos de vidro, coloque sempre areia nos que podem acumular água;
# Lave a vasilha de seus animais pelo menos uma vez por semana, com bucha, sabão e água corrente.
Photo:Carol Garcia.Gov.BA
Photo:Carol Garcia.Gov.BA
Mudar nosso comportamento é a principal forma de evitar a dengue. Você quer combater essa doença? Agora você já sabe como. Faça sua parte e espalhe essas dicas para seus familiares, amigos e vizinhos.
E se existir algum local onde você e seus amigos não possam ir para combater o Aedes aegypti, mas que possa ser criadouro do mosquito, denuncie!
Você pode fazer isso ligando para o Tele-Dengue (21 - 2575-0007) ou para o Rio Contra a Dengue (0800-6000424).
 Imagens
(1)Foto: Genilton Vieira/IOC/Fiocruz
(2)Foto: Sanofi Pasteur (Electron Microscopy).
(3)Foto: Kleber Luz/Portal Saúde
(4)Foto: Kleber Luz/Portal Saúde
Consultoria/Revisão Técnica: Anthony Érico Guimarães (Chefe do Laboratório de Diptera – Entomologia/Fiocruz)