terça-feira, 20 de setembro de 2011

Reivindicações da População do Jardim Nélia, Jardim Campos, Jardim das Oliveiras e Encosta Norte, Jardim Indaiá, Texima e Jardim Laura.

PARÓQUIA SAGRADA FAMÍLIA
MITRA DIOCESANA DE SÃO MIGUEL PAULISTA
CNPJ 61.378.741/0079-65
RUA LOURENÇO FRANCO DO PRADO, 02
JARDIM NÉLIA- ITAIM PAULISTA/ SÃO PAULO
CEP 08142-230 FONE: (11) 2803-5986



Ao
Ex.mo Senhor Prefeito do Município de São Paulo
Gilberto Kassab.

Reivindicações da População do Jardim Nélia, Jardim Campos, Jardim das Oliveiras e Encosta Norte, Jardim Indaiá, Texima e Jardim Laura.

Senhor Prefeito,
Há muito nós Munícipes viemos sofrendo com os descasos dos governos. Faltam-nos creches, o atendimento a saúde é precário, faltam Empregos, Escolas técnicas; sofremos com as enchentes e pela falta de uma política de habitação e segurança séria e responsável, faltam-nos espaços de lazer para jovens, crianças e idosos.

Neste sentido Propomos e elencamos as nossas necessidades em nossa Região:

Saúde: Secretário Januário

1.    Fortalecimento da Atenção Primaria à Saúde (APS).
2.    Ampliação do CAPS álcool e drogas: contratação de Psiquiatra, Psicólogos, Psicoterapeutas, Auxiliares de enfermagem, Enfermeiros e RH;-> Ampliação CAPS, já foi autorizado a mudança do Espaço e está em estudo a contratação dos profissionais.
3.    Implantação de CAPS, criança e Adulto; -> Está incluso no Plano de Trabalho de 2012.
4.    Implantação de UBS/ESF no Encosta Norte; -> Já está previsto para 2012- o projeto já foi feito, porém carece de verbas do PAC II, recurso se encontra na Caixa Econômica – por motivo de burocracia da própria Caixa ainda não foi liberado. PROPOSTA: Cobrar da Caixa Econômica a liberação deste recurso.
5.    Implantação de UBS/ESF no Jardim Laura em área cedida pela CDHU á Secretaria da Saúde em março de 2007 e que aguarda pronunciamento de Interesse dessa Secretaria até hoje (área com 4.460m² cita a Rua Manoel Rodrigues Santiago (Ver folha em anexo); -> O Secretário não tinha conhecimento deste espaço, prometeu averiguar.
6.    Reforma / ampliação da UBS-Jardim Nélia (ver planta em anexos);-> Já está em projeto para 2012:
7.    Que o AMA Jardim Nélia passe há atender 24 Horas;-> Segundo o Secretario da Saúde os AMAS que funcionarão par 24horas serão ao que ficam há 30Km dos Hospitais e aqueles que estão anexados ou próximos de hospitais.
8.    Implantação do CEO na UBS-Jardim Nélia; -> será implantado o Programa sorriso na UBS/Nélia e Jardina das Oliveiras, em 2012.
9.    Implantação de Centro de Atendimento de Autistas na região da supervisão técnica de saúde da Subprefeitura do Itaim Paulista; Será suprido pela implantação do CAPS infantil.
10. Implantação de Centro de Atendimento ao Idoso na região da Subprefeitura do Itaim Paulista; Será estudado pelo Secretário- precisamos continuar lutando.
11. Garantia de atendimento da população do Itaim Paulista no AME Texima; pois muitos usuários vêm de outros bairros tomando vagas da população do Itaim Paulista. -> o Secretario afirmou que a situação será resolvida com a implantação de 30 AMES- projeto em andamento.
12. Equiparação salarial dos funcionários Municipal, Federal e estadual aos dos funcionários das OSs. -> Existe uma grande dificuldade de equiparação salarial, pois a diferença das autarquias federal, municipal e estadual impossibilita a mesma. O Secretário assinalou com aumento salarial para os funcionários municipais da Saúde de 11,25% em 2012.
13. Criação de um Centro de Referência da Mulher na região do Itaim Paulista. -> Secretario prometeu estudar a proposta – Precisamos continuar lutando.
14. Contratação de RH para todas as UBS/PSF acima citadas e AME Texima com Urgência: Clínicos, Enfermeiros, Auxiliares de Enfermagem, Assistentes Sociais, Psicólogos, Pediatras, Reumatologista, Psiquiatras, Atendentes. -> Segundo o Secretário serão feitas contratação de emergência, principalmente para médicos.
15. Reformas Elétricas e Hidráulicas nas Unidades Básicas. -> O Secretário afirmou que já está tomando providencias e fazendo levantamento das Unidades que necessitam destas reformas.
16.   Ampliação da Unidade Básica Oliveiras com construção de salas de procedimentos de enfermagem e regulação. -> O Secretário prometeu estudar o caso.
17. Reparos imediatos nos equipamentos de odontologia que se encontram quebrados em UBS Nélia e Oliveiras. -> Será feito levantamento para posteriores concertos.
18. Implantação de Clinicas de Recuperação para Dependentes Químicos na Região do Itaim Paulista. -> O Secretário afirmou que estão sendo feitos convênios com ONGs e outras entidades para acolhimento destes, contudo, a resistência destas pessoas ao tratamento é grande, o que impossibilita o tratamento e o preenchimento das vagas a elas reservadas.
19. Implantação de um Centro Especializado Odontológico Cidadão. -> criação do projeto sorriso – que fará convênios com clinicas particulares de odontologia para atendimento da demanda.
20. Implantação de um Hospital Infanto Juvenil para Região Leste. -> precisamos continuar lutando.
21. Melhoria e Implantação de Iluminação Nas Unidades de Saúde nos Equipamentos de supracitados. -> projeto em andamento.

Meio Ambiente e Lazer: Eduardo Jorge
 -> O Secretario não Compareceu, alegando outro compromisso. Pediu que se enviassem as reivindicações ao seu gabinete.

1.    Canalização do Córrego Itaim e implantação dos Parques lineares.
2.    Implantação do Parque Encosta Norte;
3.    Arborização, Paisagismos e implantação de Playground da Longevidade na Rua Linária e em todas as praças das vilas supracitadas e iluminação nas mesmas.
4.    Implantação em Terreno Baldio de Parque com viveiro para arvores, canteiros para plantas medicinais e fitoterápicos, uma quadra para pratica de esportes e playground para crianças e jovens. Cito à Rua Lourenço Franco do Prado- Jardim Nélia, cujo pedido já foi Protocolado na Subprefeitura do Itaim Paulista com TID nº 984715 em 18/11/2010 e na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente com TID nº 7330652 em 29/03/ 2011 não obtivemos resposta. Este terreno é um ponto viciado de lixo, resto de construção e inservíveis.
5.    Implantação de Projetos Ambientais para os Parques Municipais.
6.    Implantação de Coleta Seletiva Adequada para cada Região.
7.    Ampliação e Constancia do Programa de Cata-bagulho para região do Itaim Paulista.
8.    Limpeza de Córregos e bueiros com mais Constancia nos vilas supracitadas.

Moradia: Secretário não Compareceu.

1.    Regularização do Solo em toda a região da Subprefeitura do Itaim Paulista;
2.    Política de Moradia para os que habitam nas margens dos córregos Itaim, Lajeado e São João, áreas de riscos e nas comunidades de favelas do Jardim Nélia e Itaim Paulista.

Educação:

1.    Implantação de creches no Jardim Nélia; -> Em Construção, Gleba Mario Covas – CDHU Itajuibe.
2.    Implantação de Escolas Técnicas na Região do Itaim Paulista; -> Terreno já regularizado, Segundo o Subprefeito Sr. João, O Secretário prometeu construir e negociar o Instituto Paula Sousa, e ao lado da Escola Técnica Construir mais uma Creche. Enquanto esperamos o Secretário prometeu a ampliação do EJA.
3.    Construção de 08 salas de aulas e reforma da EMEI Professora Sebastiana Cruz de Oliveira sito à Rua Paulo Tapajós – Encosta Norte. -> Projeto já Feito: Será construída uma nova EMEI e ao lado uma Creche em 2012.
4.    Implantação de Creche em terreno com área de 1.600, 8009m² cito á Rua Barão de Almeida Galeão (antiga Rua 08) – Encosta Norte – área Cedida pela CDHU. -> Projeto já feito, será construída em 2012.
5.    Contratação de Psicólogos, Pedagogos e assistentes Sociais para as EMEF e MEI. -> Já existe um projeto em que estes profissionais visitam as escolas, o Secretário da Saúde e da Educação prometeram ampliar o projeto e parcerias com as UBS. Segundo o Secretario o “Programa Aprendo com Saúde”, Supre a contento esta demanda, e pediu ajuda no convencimento dos Pais de Adolescentes para evitar absenteísmos dos mesmos nas consultas.  
6.    Implantação de um Programa da Melhor Visão, nas EMEFs e EMEIs com doações de Óculos na Região do Itaim Paulista. Este programa é realizado em parceria com o Governo do Estado, Secretario prometeu conversar com o parceiro para que haja mais freqüência.
7.    Promover parcerias de Cursos de Qualificação Profissional para o Programa Ação Jovem. ->Secretário prometeu conversar com Secretario do Estado do Trabalho para fazer parcerias com os CEUs possibilitando qualificação.
8.    Acessibilidade para Deficientes físicos e idosos nas Escolas, Tele centros e Equipamentos públicos. -> A sub-Prefeitura segundo o Subprefeito Sr. João, já está fazendo os acessos pela parte externa, e o Secretário está fazendo já os estudos para a parte interna dos prédios pertencentes à prefeitura. 

Segurança: Responsável não esteve presente.

1.    Aumento do Efetivo da Guarda Civil Metropolitana; -> Já está em andamento. Segundo o Secretário Ronaldo Camargo.
2.    Presença da Guarda Civil Metropolitana nos Equipamentos de Saúde municipalizados, para inibir a violência aos funcionários e a depredação das Unidades de Saúde.
3.    Sinalização e Semáforos nas Ruas Itajuíbe- Jardim Nélia em Frente a UBS/AMA Nélia, Rua Paulo Tapajós, Pedro Gil, Praça do Sacolão – Encosta Norte.
4.    Sinalizar as Lombadas com placas e pintura sobre as mesmas.
5.    Sinalizar com Placas denominadas “Fabrica de Cultura e CIC- Leste (Centro de Integração da Cidadania)”, nas Avenidas principais do Itaim Paulista, para Facilitar o acesso aos Equipamentos.
è Sobre os itens 3,4, 5 -> O Secretário Ronaldo Camargo pediu o Subprefeito o Senhor João de Souza entrasse em contato com a Senhora Sandra e o Senhor Valter Vendra. – Secretaria do Transportes.


Pedimos deferimento.


                                   São Paulo, 13 de Setembro de 2011.

Pe. Marcus Fernando – Conselheiro de Saúde/ UBS-AMA Nélia/ Supervisão Tec. Itaim Paulista
Rua Lourenço Franco do Prado, 04 Jardim Nélia-Itaim Paulista
Fone: (11) 2803-5986/ cel. 7649-8800 Email: pemarcusfernando@hotmail.com
CEP. 08142-230.
Luiz José dos Santos – Conselheiro de Saúde UBS Oliveira/Supervisão Tec. Itaim Paulista
Maria da Paz Pires – Conselheira de Saúde UBS Oliveira
Ana Lucia dos santos Macena – Conselheira de Saúde UBS Oliveira
Auristela Alexandrino Dias – Conselheira de Saúde UBS/ESF  INDAIÁ/ Supervisão Tec. Itaim
Donice Bispo dos Santos – Instituto Potencial.

SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA

PASTORAL DA SAÚDE
DIOCESE DE SÃO MIGUEL PAULISTA


SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA

Falar de Saúde e Segurança Pública é algo um tanto complexo, o que faremos aqui é refletir um pouco sobre o tema de modo que possamos descobrir juntos metas para a nossa caminhada na Pastoral de Saúde em nossa Diocese de São Miguel Paulista.
Começaremos levantando alguns conceitos e princípios da saúde e da segurança o que nos servirão de base para continuarmos delineando a nossa reflexão.

I. O CONCEITO E PRINCÍPIOS DE SAÚDE

Tendo como base a Carta das Nações Unidas assinada em 26 de junho de 1945 reza a Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO – 1946) que:

“Para a felicidade dos povos, para as sua relações harmoniosas e para a sua segurança; A Saúde é um Estado de completo bem – estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou enfermidade.
Gozar do melhor estado de saúde que é possível atingir constitui um dos direitos fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, religião, de credo político, de condição econômica ou social.
A Saúde de todos os povos é essencial para conseguir a paz e a segurança e depende da mais estreita cooperação dos indivíduos e dos Estados.
Os resultados conseguidos por cada estado na promoção e proteção da saúde são de valor para todos.
O desigual desenvolvimento em diferentes países no que respeita à promoção de saúde e combate às doenças, especialmente contagiosas, constitui um perigo comum.”
De imediato o que percebemos é que a Saúde é um direito fundamental e que a segurança das nações depende que este direito seja salvaguardado.

II. O CONCEITO DE SEGURANÇA PÚBLICA
Mas, o que é segurança?

Segundo o Professor De Plácido e Silva: “Segurança é derivado de segurar e exprime, gramaticalmente, a ação e feito de tornar seguro, ou de assegurar e garantir alguma coisa. Assim, segurança indica o sentido de tornar a coisa livre de perigos, de incertezas, Tem o mesmo sentido de seguridade que é a qualidade, a condição de estar seguro, livre de perigos e riscos, de estar afastado de danos ou prejuízos eventuais.” ( Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 1963.4Vv.)

(E Segurança pública?

“È o afastamento, por meio de organizações próprias, de todo o perigo ou de todo o mal que possa afetar a ordem pública, em prejuízo da vida, da liberdade ou dos direitos de propriedade de cada cidadão. A segurança pública, assim, limita a liberdade individual, estabelecendo que a liberdade de cada cidadão, mesmo em fazer a aquilo que a lei não lhe veda, não pode perturbar a liberdade assegurada aos demais, ofendendo-a”. (idem.)
Portanto, Segurança Pública é:
·         O meio pelo qual o Estado busca garantir a paz social para todos.
·         O conjunto de ações que visam antes de tudo zelar pela vida, a liberdade e a proteção do patrimônio.
·         Fundamental para uma boa qualidade de vida em uma comunidade.
·         O complemento de outras políticas sociais, como educação, igualdade social, saúde, etc.
·         A confiança nos poderes constituídos.
·         Dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.
·         Necessária para regulamentar as ações humanas no convívio social.
·         Potencialmente capaz de restringir, controlar e reprimir a violência dentro da sociedade.

O Artigo 144 da CF afirma que – “A segurança pública, é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”. (Constituição Federal - CF - 1988 Título V Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas Capítulo III Da Segurança Pública).

Numa sociedade em que se exerce democracia plena, a segurança pública garante a proteção dos direitos individuais e assegura o pleno exercício da cidadania. Neste sentido, a segurança não se contrapõe à liberdade e é condição para o seu exercício, fazendo parte de uma das inúmeras e complexas vias por onde trafega a qualidade de vida dos cidadãos.
Quanto mais improvável a disfunção da ordem jurídica maior o sentimento de segurança entre os cidadãos.
As forças de segurança buscam aprimorar-se a cada dia e atingir níveis que alcancem a expectativa da sociedade como um todo, imbuídos pelo respeito e à defesa dos direitos fundamentais do cidadão e, sob esta óptica, compete ao Estado garantir a segurança de pessoas e bens na totalidade do território brasileiro, a defesa dos interesses nacionais, o respeito pelas leis e a manutenção da paz e ordem pública.
Paralelo às garantias que competem ao Estado, o conceito de segurança pública é amplo, não se limitando à política do combate à criminalidade e nem se restringindo à atividade policial.
A segurança pública enquanto atividade desenvolvida pelo Estado é responsável por empreender ações de repressão e oferecer estímulos ativos para que os cidadãos possam conviver trabalhar, produzir e se divertir, protegendo-os dos riscos a que estão expostos.
As instituições responsáveis por essa atividade atuam no sentido de inibir, neutralizar ou reprimir a prática de atos socialmente reprováveis, assegurando a proteção coletiva e, por extensão, dos bens e serviços.
Norteiam esse conceito os princípios da Dignidade Humana, da Interdisciplinaridade, da Imparcialidade, da Participação comunitária, da Legalidade, da Moralidade, do Profissionalismo, do Pluralismo Organizacional, da Descentralização Estrutural e Separação de Poderes, da Flexibilidade Estratégica, do Uso limitado da força, da Transparência e da Responsabilidade.

Sendo o principio da dignidade da pessoa humana o epicentro da ordem jurídica brasileira tendo em vista que concebe a valorização da pessoa humana como sendo razão fundamental para a estrutura de organização do Estado e para o Direito. O legislador constituinte elevou à categoria de princípio fundamental da República, à dignidade da pessoa humana (um dos pilares estruturais fundamentais da organização do Estado brasileiro), previsto no art. 1º, inciso III da Constituição de 1988.

O princípio da dignidade da pessoa humana impõe um dever de abstenção e de condutas positivas tendentes a efetivar e proteger a pessoa humana. É imposição que recai sobre o Estado de o respeitar, o proteger e o promover as condições que viabilizem a vida com dignidade.

Assim, faz-se mister que existam instâncias dinâmicas para garantia de direitos, inclusive do direito à saúde. Essas instâncias dinâmicas compõem as chamadas funções essenciais da justiça.

III. . A SAÚDE COMO DIREITO FUNDAMENTAL

 A Constituição Federal ressalta em seu Art. 6º que “são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados”, sendo que no artigo 196 estabelece que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal, igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A Saúde é um direito fundamental, social e individual, onde o povo brasileiro tem direito de crédito em face ao Estado, podendo, por conseguinte buscar a tutela jurisdicional afim de que tal direito seja assegurado como decorrência lógica do principio da dignidade humana.

O direito à saúde representa prerrogativa jurídica indisponível assegurada à generalidade das pessoas pela própria Constituição da República (art. 196). Traduz um bem jurídico constitucionalmente tutelado, por cuja integridade deve formular - e implementar - políticas sociais e econômicas idôneas que visem a garantir, aos cidadãos, o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica e médico-hospitalar.

 O direito à saúde - além de qualificar-se como direito fundamental que assiste a todas as pessoas, representa conseqüência constitucional indissociável do direito à vida. O Poder Público, qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano da organização federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema da saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por censurável omissão, em grave comportamento inconstitucional.

Tomando em consideração o fato de que o direito à saúde caracteriza-se como um direito de crédito (direito prestacional), torna-se relevante a possibilidade do Poder Judiciário ser acionado visando garantir ao indivíduo o acesso ao fornecimento de remédios e tratamentos médicos quando estes não são adequadamente disponibilizados pelo Estado.
A Constituição Federal atribui ao Ministério Público, entre outras, a defesa dos interesses individuais de caráter indisponível (art. 127, caput), bem como a obrigação de zelar pelo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Magna Carta, entre os quais o direito fundamental à saúde, autorizando-o a promover as medidas necessárias para garantia desses direitos (artigo 129, II).
Por sua vez, a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, no artigo 25, inciso IV, alínea “a”, confere ao Ministério Público legitimidade para o ajuizamento da ação civil pública para a defesa, em juízo, dos interesses difusos, coletivos e individuais indisponíveis.

A Constituição Federal ainda relaciona como de relevância pública as ações e serviços de saúde (artigo 196) e preconiza como uma de suas diretrizes a integralidade do atendimento (artigo 198).

O Ministério Público tem o dever de defender todo e qualquer direito fundamental de caráter indisponível, em especial o direito à saúde, cabendo-lhe exigir dos Poderes Públicos seu efetivo respeito assegurando a prestação dos serviços relevantes e essenciais tendentes a garanti-los.

Por fim, concluímos este tema citado a LEI ORGÂNICA DA SAÚDE: LEI 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990, TÍTULO I, Das Disposições Gerais:

Art. 2º - A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
§ 1º - O dever do Estado de garantir a saúde consiste na reformulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
§ 2º - O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da Sociedade.
Art. 3º - A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País.
 Parágrafo Único. Dizem respeito também à saúde as ações que, por força do disposto no artigo anterior, se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social.

Garantir o direito a saúde, passa basicamente pela conscientização dos indivíduos. A população consciente, sobre o que é saúde e a quem vai reivindicar organizar-se para lutar pela saúde para conseguir que o Estado responda a essa luta organizada na área específica.
O Estado tem a obrigação de oferecer serviços acessíveis a toda à população e serviços que resolvam o problema, serviços eficazes, eficientes. Deve-se lutar pela responsabilização do Estado em todos os aspectos da saúde, e não apenas numa área específica, uma vez que a saúde envolve também os aspectos individuais. É necessária então a conscientização do indivíduo por meio de uma atividade séria, constante, de educação sanitária. Como a saúde envolve aspectos de desenvolvimento, como o nível de saúde que seu desenvolvimento permita. Necessita-se, portanto, da conscientização da população para garantir o direito á saúde.
       Por meio da participação na gestão pública, os cidadãos podem intervir na tomada da decisão administrativa, orientando a Administração a adotar medidas que realmente atendam ao interesse público.
A participação contínua da sociedade na gestão pública é um direito assegurado pela Constituição Federal, permitindo que os cidadãos não só participem da formulação das políticas públicas, mas, também, fiscalizem de forma permanente a aplicação dos recursos.
Nesse processo, algumas propostas emanadas das Conferências de Saúde devem ser destacadas e valorizadas como desafios à consolidação e ao fortalecimento do controle social no SUS:

• Garantia de efetiva implantação dos conselhos de saúde estaduais e municipais – assegurando aos mesmos dotação orçamentária própria.

• Consolidação do caráter deliberativo, fiscalizador e de gestão colegiada dos conselhos, com composição paritária entre usuários e demais segmentos, devendo o presidente ser eleito entre seus  membros.

• Reafirmação da participação popular e do controle social na construção de um novo modelo de atenção à saúde, requerendo o envolvimento dos movimentos sociais, considerados atores estratégicos para a gestão participativa.

• Aperfeiçoamento dos atuais canais de participação social, criação e ampliação de novos canais de interlocução entre usuários e sistema de saúde, e de mecanismos de escuta do cidadão.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

QUALIDADE DE VIDA

 QUALIDADE DE VIDA
Qualidade de vida tem se tornado um tema significativamente importante para a sociedade em geral, na literatura cientifica, e especialmente no campo da saúde, pois a progressiva desumanização devido ao desenvolvimento tecnológico das ciências da saúde trouxe uma maior preocupação com o tema.
Atualmente, o termo é utilizado pela população em geral, por jornalistas, políticos e executivos, e também, em pesquisas ligadas a varias especialidades como sociologia, medicina, enfermagem, psicologia, economia, geografia, história social e filosofia.
A expressão Qualidade de Vida, tem significado muito complexo, subjetivo, muito abrangente e varia em função da época, das crenças e da pessoa, pelo que a qualidade de vida tem a ver com a forma como cada um se vê e vê o mundo e a avaliação dessa qualidade é feita de acordo com critérios, tais como a educação, a profissão, a escolaridade, as necessidades de cada um, a saúde, que são diferentes para cada pessoa e para cada situação, pois há grande diversidade de condições sociais, de níveis de vida, de estados psíquicos e físicos e de crenças. Por isso se tem procurado criar escalas de avaliação de qualidade de vida para pessoas com a mesma doença.


 O termo qualidade de vida foi mencionado em 1920 pelo economista inglês Arthur Cecile Pigou, em um livro sobre economia e bem-estar. Na obra ele discutiu o suporte governamental para pessoas de classes sociais menos favorecidas e o impacto sobre suas vidas no orçamento do Estado. O termo não foi valorizado e foi esquecido.
Lyndon Johnson, presidente dos Estados Unidos, foi o primeiro a empregar a expressão qualidade de vida, ao declarar, em 1964, que “os objetivos não podem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas.”
Após a Segunda Guerra Mundial, o termo passou a ser utilizado, como noção de sucesso associada à melhoria do padrão de vida, principalmente relacionado com obtenção de bens materiais, como casa própria, carro, salário e bens adquiridos.
O termo qualidade de vida foi, então, usado para criticar políticas, nas quais o objetivo era o crescimento econômico sem limites. O conceito foi a seguir, ampliado, a fim de medir o quanto uma sociedade havia desenvolvido economicamente. Com o passar dos anos, o conceito ampliou, significando, além do crescimento econômico, o desenvolvimento social, como educação, saúde, lazer, moradia, saneamento básico, transporte, trabalho, etc.
Ultimamente, tem-se valorizado fatores como satisfação, qualidade dos relacionamentos, realização pessoal, percepção de bem-estar, possibilidades de acesso a eventos culturais, oportunidades de lazer, entre outros, como a felicidade, solidariedade e liberdade.
O Grupo de Qualidade de Vida da divisão de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde em 1994 definiu qualidade de vida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
O mesmo Grupo enumerou algumas características importantes para a avaliação da qualidade de vida. Vejamos: Percebe-se, por estas características, que qualidade de vida envolve um conjunto de fatores que devem existir para uma vida melhor. Isso quer dizer que a qualidade de vida passa pela necessária mudança de comportamento, vivência de valores, crescimento profissional e humano, disciplina e respeito, cuidados com os ambientes, atenção à saúde, vivência de uma espiritualidade...
Leonardo Boff, falando sobre qualidade de vida e felicidade, afirma que a característica principal dessa integração é a cultura da solidariedade, que envolve:
• Valores: gratuidade, reciprocidade, cooperação, compaixão, respeito à diversidade, complementaridade, comunidade, amor.
•Princípios: autogestão, respeito à diversidade / complexidade, convivência solidária com a natureza e cuidado com o meio-ambiente, democracia, descentralização / desconcentração do poder, das riquezas, dos bens...
• No novo projeto de desenvolvimento deve haver, portanto: primazia do trabalho sobre o capital, economia a serviço do social, tecnologia que não agrave o desemprego e a poluição da natureza, etc. Nesta perspectiva, toda a qualidade individual é de certa forma, uma qualidade coletiva.
PERSPECTIVAS DA QUALIDADE DE VIDA
PERSPECTIVA BIOLÓGICA DA QUALIDADE DE VIDA


qualidade de vida é freqüentemente associada à saúde, relativamente a determinadas patologias ou intervenções, de forma a indicar os efeitos que determinada medicação ou tratamento tem sobre a qualidade de vida dos pacientes a ele sujeitos, o que pressupõe um estudo prévio do seu nível de qualidade de vida, para ver se haverá ou não alterações. No caso de surgirem variações na saúde do indivíduo e na sua qualidade de vida, torna-se oportuno investigar as causas subjacentes, sejam elas o prognóstico da doença, a sua intensidade, etc.
Neste sentido, há autores, nomeadamente Marcelo Fleck que defende que “… a oncologia foi à especialidade que, por excelência, se viu confrontada com a necessidade de avaliar as condições de vida dos pacientes que tinham a sua sobrevida aumentada devido aos tratamentos realizados, já que, muitas vezes, na busca de acrescentar anos à vida, era deixada de lado a necessidade de acrescentar vida aos anos.” (1999), e Eliane Seidl e Célia Zannon que afirmam que a avaliação da qualidade de vida implica a “avaliação do impacto físico e psicossocial que as enfermidades, disfunções ou incapacidades podem acarretar para as pessoas atingidas, permitindo um melhor conhecimento do paciente e da sua adaptação à situação.”
Pode dizer-se então que numa perspectiva biológica a qualidade de vida assenta na noção real que a pessoa tem da sua condição física, da capacidade para realizar as atividades do quotidiano que fazia anteriormente à doença sem qualquer dificuldade, sendo que esta deve corresponder à realidade vivida pela pessoa.
Ao debruçarmo-nos sobre a qualidade de vida, não podemos deixar a saúde de lado, seja numa perspectiva biológica seja bioética, - a qualidade de vida está subjacente à dor, à doença, ao sofrimento, mas também à acessibilidade para todos no que diz respeito a manter a pessoa saudável, pois temos o direito a ter uma vida justa, sem prejuízo e com condições que proporcionem uma boa qualidade de vida.
PERSPECTIVA CULTURAL DA QUALIDADE DE VIDA


F. Cabral, em 1992, afirmou que “as necessidades dos consumidores evoluem de forma natural, numa dimensão histórica e cultural, fazendo com que aquilo que há anos atrás era considerado como um nível de vida aceitável já não o seja hoje.” Neste contexto e segundo uma perspectiva cultural, a qualidade de vida não é homogênea, pois se vai modificando com o decorrer dos anos, devido às exigências da sociedade, do desenvolvimento da tecnologia e ciência, e do próprio poder econômico, portanto,  é importante respeitar todas as culturas e os seus valores.

É na infância que o caráter de uma pessoa se forma, assim como os seus limites, exigências, hábitos e valores do meio social onde vive, fatores estes que irão determinar o conceito pessoal de qualidade de vida, no sentido de estabelecer necessidades quanto ao vestuário, à alimentação, relacionamentos, entre outros. Quando a pessoa emigra, dá-se um processo de aculturação, que leva a pessoa a adaptar-se a outra cultura vigente no país em que está o que  pode alterar o seu conceito de qualidade de vida. O mesmo acontece quando a pessoa se deixa influenciar pela pressão da média, pois estes publicitam o que é fundamental para ter qualidade de vida naquele meio. É neste sentido que A. Walter afirma em 1992 que “existe uma ligação estreita entre qualidade de vida e comunicação ou, pelo menos, com a publicidade, criando e impondo necessidades, em nome da qualidade de vida. É, no entanto, no domínio do lazer e do estatuto social que a publicidade mais tenta captar e impressionar os destinatários, por ser através do acesso ao supérfluo e do chamado direito ao prazer que uma parte significativa da população sente atingir a qualidade de vida.”


PERSPECTIVA ECONÓMICA DA QUALIDADE DE VIDA


Para a qualidade de vida a perspectiva econômica também tem um grande peso, pois muitas pessoas associam o ter qualidade de vida a ter dinheiro. Esta relação depende dos valores pessoais de cada pessoa e o valor que dá aos bens materiais, o que vai determinar para cada pessoa a maior ou menor relação que a economia tem com a qualidade de vida. Aron Belinky, em 2007, referiu que “o importante é planejar para ter o suficiente, sem consumir com exagero e desperdício.”, e talvez a qualidade de vida esteja mais relacionada com a moderação, pois os bens econômicos nem sempre significam qualidade de vida, se bem que o ideal seria a igualdade de bens para todas as pessoas, que lhes permitisse sobreviver com as condições necessárias.” Outros pontos de vista ainda defendem que qualidade de vida é sinônimo de luxo, como Conrado Navaro que, em 2007, refere “gostamos daquilo que pode ser considerado exclusivo ou que nos diferencia dos demais à nossa volta.”. Esta idéia entra em conflito com alguns princípios da bioética, como o da solidariedade e justiça social, que assentam na igualdade na acessibilidade e recursos que permitam condições de vida mínimas para a sobrevivência de todos por igual.


PERSPECTIVA PSICOLOGICA DA QUALIDADE DE VIDA


Como já referimos anteriormente, a qualidade de vida depende da perspectiva pessoal, por isso a definição de qualidade de vida segundo uma perspectiva psicológica é quase impossível, no sentido de falta de concordância quanto ao seu significado, sendo muitas vezes associada à felicidade ou satisfação. Contudo, pode dizer-se que qualidade de vida, numa perspectiva psicológica, baseia-se no respeito mútuo, na capacidade de ultrapassar os problemas da vida, na felicidade, na promoção da saúde mental, na conservação de relações, no pensamento positivo, e no gostar de si próprio e dos outros, o que implica ser ético, pelo que a qualidade de vida depende do indivíduo, dos seus valores e da relação que estabelece com os que o rodeiam. Em consonância com esta idéia, a OMS, em 1994, declara que “qualidade de vida é a percepção que o indivíduo tem da sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores nas quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.”

Na perspectiva psicológica, os critérios de avaliação da qualidade de vida estão relacionados com a imagem corporal, a profissão, a capacidade de desempenho das atividades diárias, a motricidade, a capacidade de manutenção de relações, a saúde, e outros aspectos pessoais que cada um acha fundamental para a qualidade de vida, estando estes relacionados com a perspectiva de cada individuo. A definição de qualidade de vida assim como os critérios para a sua avaliação é então subjetiva e dependem de cada pessoa.
Para que a qualidade de vida possa ser avaliada é necessário adotar as várias perspectivas e os múltiplos critérios, e é neste sentido que são criados os instrumentos de avaliação que permitam ao indivíduo refletir sobre os vários aspectos subjacentes à sua qualidade de vida, permitam explorar a força de uma doença sobre a vida da pessoa afetada, avaliar os desalentos físicos e psicológicos, e identificar pacientes que careçam de cuidados personalizados e especiais. Todos estes objetivos têm como valor máximo a ajuda a pessoas e pacientes, no sentido de lhes proporcionar melhores condições, tratamentos de saúde, etc. Para que este instrumento possa ser aplicado em todas as pessoas, é necessário que seja acessível, com formato adequado, de fácil utilização e que apresente uma extensão adequada.
O que a qualidade de vida tem a ver com você?
Quando se fala em qualidade de vida, o ser humano é remetido automaticamente a um padrão de conforto mais elevado. Assim, ele imagina que cargos importantes, casa, carro, eletrodomésticos, Internet, roupas de grife, celular e outras bugigangas podem melhorar a qualidade de vida.

Em primeiro lugar, tenha em mente o seguinte: padrão de vida nada tem a ver com qualidade de vida. Padrão ou estilo de vida é medido pela quantidade de bens materiais e o nível de conforto que você pode ou deixa de obter. Qualidade de vida é medida pela quantidade de experiências positivas que você experimenta ainda que viva de maneira desconfortável.

Em segundo lugar, ainda que você tenha amealhado uma quantidade razoável de bens materiais, dinheiro, fama e status, existem valores relacionados com a qualidade de vida que não estão presentes em tudo isso, dentre os quais vale a pena destacar: sentido de realização, reconhecimento, sentido de contribuição, paz de espírito e pertencimento, entre outros.

Dessa forma, o acúmulo de coisas e mais coisas não vai mudar o seu padrão de infelicidade, portanto, qualidade de vida não tem nada a ver com conforto.

 Qualidade de vida tem a ver com momentos inesquecíveis, emoções positivas, conquistas memoráveis e coisas foram do comum que, graças à sua capacidade de resiliência, persistência, perseverança, disciplina e foco, foram passíveis de realização.

Definitivamente, qualidade de vida tem tudo a ver a com a superação de desafios. Ao contrário do que se imagina, milhares de aposentados se deprimem pouco tempo depois de deixar o trabalho em busca daquela tão sonhada qualidade de vida. Se a continuidade não for planejada, é o fim do desafio, da emoção, do reconhecimento e o início de uma jornada que nada tem de melhor idade.

Se a qualidade de vida tem relação direta com a superação de desafios e a capacidade de realização do ser humano, é natural admitir picos de oscilação positiva e negativa durante toda a sua existência. Partindo-se do pressuposto que você não vai conseguir tudo, por maior que seja o esforço, mas pode conquistar muito, dependendo do seu esforço, prepare-se para os altos e baixos.

Na prática, o que isso quer dizer?

Momentos bons e ruins fazem parte da vida de qualquer pessoa, portanto, a forma como você administra esses momentos e as lições que você aprende a partir deles determina a sua qualidade de vida.

Quer aumentar a sua qualidade vida? Não espere por milagres e soluções mágicas. Nada muda se você não tomar atitudes concretas para mudar seus hábitos a fim de extrair melhores resultados. Alguns pontos de reflexão poderão ajudá-lo nessa incrível jornada. Leia, releia, absorva, pondere com a família e os colegas de trabalho e sua vai mudar consideravelmente.

Torne-se mais produtivo: pense no que você não faz e no que você pode fazer para conquistar o padrão de vida que deseja.

·          O que você está fazendo para extrair o melhor da vida e o melhor de si mesmo?
·          Suas metas e objetivos estão alinhados com os seus valores?
·          Você usa o tempo a seu favor?
·         Caminha regularmente?

Reveja seus valores: eles estão inseridos em todas as áreas da sua vida; valores energizam o espírito e contribuem para aumentar o sentido de realização;

·          Aquilo que a sociedade apregoa é exatamente o que você deseja para si mesmo?
·          Como você quer viver?
·         Quem você quer se tornar?
·         Que exemplo você quer deixar?

Avalie seus desejos e necessidades:

·          Você precisa de tudo o que você compra?
·          Seus desejos são legítimos ou cada vez que você se deprime vai para o shopping e estoura o limite do cartão?
·          Existe algo que você pode abrir mão para desperdiçar menos tempo e energia e aumentar a sua qualidade de vida?


Examine seus relacionamentos:

·          Que tipo de pessoas você atrai?
·          Que tipo de relacionamento você deseja?
·          Quantas pessoas você está carregando nas costas?
·          Por acaso você é algum tipo de super-herói?
·          Livre-se das sanguessugas.
·         Reflita sobre seu emprego e sua empresa: qual é a empresa ideal para você?
·          Como está o clima organizacional?
·          Os valores da empresa estão alinhados com os seus?
·          Será que é isso mesmo que você quer para sua carreira?
·          A zona de conforto é sua eterna morada?

Torne-se menos influenciável:

·         Quanto mais você pensa pela cabeça dos outros, mais afetável você se torna.
·          Toda adversidade é causada por múltiplas responsabilidades. Não fuja da sua, mas não assuma a parte dos outros.
·          Quanto mais você espera dos outros, mas você se frustra, portanto, não espere nada, não reclame e continue fazendo a parte que lhe cabe.
Fórmulas Anti-Stress
Dos males do século XXI, um dos mais importantes, pois, afeta grande parte da população ativa, é o stress.
Dores de cabeça, esquecimentos, batimentos cardíacos acelerados, mau humor, choros sem motivo, vontade de sumir, músculos doloridos ou mãos frias e úmidas podem ser alguns sintomas. Mas diminuir os efeitos não é impossível, principalmente adotando algumas das medidas anti-stress:


 1 - Acorde mais cedo:
Em vez de começar o dia no meio do maior stress porque não tem tempo para fazer nada, experimente levantar-se um bocadinho mais cedo e organizar melhor as suas manhãs. Não se deixe tentar pelo calorzinho dos cobertores e salte da cama assim que o despertador tocar. Tome um bom café da manhã e um banho relaxante.


 2 - Planeje o seu dia:
Tente perceber em que altura do dia a sua produtividade está em alta. Há pessoas que rendem mais de manhã enquanto outras funcionam a 100% mais pela tarde. Escolha o período em que tem mais energia e deixe para essa altura as tarefas de maior responsabilidade ou que exijam maior criatividade. Lembre-se, no entanto, que por mais organizado que seja, existe imprevistos que não se consegue controlar.
 3 - Defina prioridades:
Não queira fazer tudo ao mesmo tempo nem queira fazer tudo sozinho. Faça uma listagem das suas reais prioridades e tente cumpri-la. Ponha os assuntos que exigem mais em primeiro lugar, mas tente não descuidar dos pequenos assuntos que tendem a ficar esquecidos.
 4 - Saiba dizer não:
Quando se sentir demasiado pressionado tenha a coragem de dizer basta! Se o seu chefe lhe parecer demasiado empenhado em não o deixar respirar, exigindo-lhe mais e mais trabalho, explique-lhe que, apesar de tentar, não consegue fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Tente também não fazer o trabalho dos seus colegas. Sempre que poder ajudar, ajude, mas não deixe que eles fiquem mal habituados.
 5 – Crie um bom ambiente:
Pensamentos positivos ativam as energias positivas que temos em nós. E depois, simpatia gera simpatia. Elogie, seja prestativo e simpático com os seus colegas.
 6 - Aprenda a relaxar:
Nada melhor do que depois de um dia estafante o poder chegar em casa, sair para caminhar, brincar com as crianças e tomar um longo banho.
 7 - Mude de rotina:
É importante que você consiga viver para além do trabalho. Presenteie-se após um trabalho complicado. Que tal aquele livro que sempre quis ou aquela camisola caríssima? Deixe o trabalho e seus problemas antes de entrar em casa.
 8 - Tenha vida social:
Tenha uma vida social ativa porque desta maneira vai ser mais fácil de não pensar nos problemas que deixou para trás no escritório. Vá a festas, ao cinema ou ao teatro. Cultive amizades.
 9 - Dedique-se a uma atividade criativa:
Utilize os seus tempos livres para se dedicar a uma atividade que puxe pela sua concentração e criatividade. Tendo a sua mente ocupada não vai ter tempo para pensar nem se chatear com os problemas do dia-a-dia ou do trabalho. A pintura é um bom exemplo.
 10 - Melhore a sua vida sexual:
Esta é também uma ótima solução para combater o stress acumulado durante um dia de trabalho. Ter uma vida sexual ativa e saudável é meio caminho andado para se sentir uma pessoa plenamente realizada e, desta forma, sentir-se mais confiante.
Assim concluímos que o conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-estima e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. O conceito de qualidade de vida, portanto, é um conceito subjetivo dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo.

Referências:
1.    Fleck,  Marcelo Pio de Almeida. Projeto desenvolvido para a OMS no Brasil pelo Grupo de Estudos em Qualidade de Vida. Coordenação:  17/9/1998 - Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal Universidade Federal do Rio Grande do Sul. http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol.html
2.   Seidl, Eliane Maria Fleury. Possui graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (1977), mestrado em Psicologia pela Universidade de Brasília (1993) e doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília (2001). Possui especialização lato senso em Saúde Coletiva (1994). Atualmente é professor adjunto 3 da Universidade de Brasília, com docência em nível de graduação e pós-graduação. Integra o corpo docente de dois Programas de Pós-graduação em nível de mestrado e doutorado: 1. Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde do Instituto de Psicologia; 2. Bioética, da Faculdade de Ciências da Saúde. Tem experiência na área de Psicologia da Saúde, com atividades de ensino, pesquisa e extensão, atuando principalmente nos seguintes temas: HIV/aids, enfermidades crônicas, adesão a tratamento, enfrentamento (coping), apoio social, qualidade de vida, práticas profissionais do psicólogo em saúde, psicologia e saúde pública e bioética. O campo de prática profissional se refere a projetos na área do HIV/aids, no Hospital Universitário de Brasília, com ações na esfera da atenção psicossocial e da prevenção. 

3.    Zannon, Célia Maria Lana da Costa.  É afiliada ao Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento e desenvolve suas pesquisas no Laboratório de Saúde e Desenvolvimento Humano. Tem interesse em fundamentos e aplicação da análise experimental do comportamento e em pesquisa aplicada no campo da assistência pediátrica, da educação para a saúde, e do desenvolvimento de competências de crianças e famílias sob condições especiais de vida. Atualmente desenvolve pesquisas observacionais e experimentais com o objetivo de analisar: controle instrucional na regulação de comportamentos interativos; mediação do adulto e dos pares na regulação social do comportamento de crianças hospitalizadas; ansiedade de familiares de crianças hospitalizadas ou com doenças crônicas, no contexto da hospitalização conjunta ou de tratamento médico prolongado; padrões comportamentais na interação entre adulto e criança e entre médico e acompanhante na consulta pediátrica; variáveis e contingências de controle da adesão a tratamento de doença crônica. Tendo atuado recentemente como editor de periódico científico, também tem interesse pelas questões ligadas à publicação científica. Neste campo, está desenvolvendo análises sobre a produção da psicologia brasileira divulgada em congressos científicos e em periódicos nacionais; conteúdo e procedência da produção na área da saúde/psicologia hospitalar divulgada em congressos científicos; o conhecimento do conteúdo e o uso de periódico científico nacional por autores; o fluxo de tramitação de manuscritos em um periódico nacional.